A cerca que ladeia a BR-104 na entrada de Murici, na Zona da Mata de Alagoas, denuncia que a cidade, com 4,6 mil desabrigados pela enchente do Rio Mundaú, vive um momento delicado. Ela serve de varal para parte das pessoas que perderam suas casas. Quatro galpões ao lado da rodoviária são divididos por 200 famílias. “Até quando vou ficar aqui?”, pergunta Patrícia Paula da Silva, de 40 anos, mãe solteira de quatro filhos. “Eu já vivia em estado de calamidade antes da cheia, mas tinha o meu canto.”

Em Murici, seis pessoas morreram e 4.102 casas foram destruídas. No abrigo com só um banheiro, a maioria faz suas necessidades do lado de fora. Os abrigados tomam banho em um riacho barrento. O lixo se amontoa do lado de fora dos galpões. A principal distração das crianças é ficar “na tocaia” das doações. Quem dá roupas as deixa na igreja.

Na cidade, os 29 mil habitantes se viram como podem. Comerciantes reaproveitam o que restou nas suas lojas, gente que perdeu as casas vigia os imóveis para que ninguém retire entulho que possa ter uso.