Após dois anos, só 3% das obras do PAC foram entregues

De um total de 10.914 empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) distribuídos nos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal, 3% foram concluídos e 74% não saíram do papel até dezembro do ano passado. O balanço foi realizado pelo site Contas Abertas, com base em relatórios divulgados pelo comitê gestor do programa.

Segundo o site, os dados são referentes a investimentos previstos pela União, empresas estatais e iniciativa privada nos períodos de 2007 a 2010 e pós 2010. O Estado de São Paulo é o que tem maior número de projetos do PAC concluídos: 39, de um total de 1.051. Destes, 725 ainda estão no papel – entre eles o do trem de alta velocidade (trem-bala) que ligará Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas (SP), assim como quatro projetos para o aeroporto de Viracopos, também em Campinas, e dois para o aeroporto de Guarulhos (SP).

Mato Grosso do Sul aparece em segundo lugar, com 25 obras finalizadas. Em Minas Gerais, estado de origem da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o quadro é semelhante. Apenas 25 obras foram concluídas. Na Bahia, um dos Estados mais favorecidos pelo PAC, apenas 2% dos projetos foram entregues à população. De um total de 917 ações, somente 16 chegaram a ser concluídas. Do todo, 80% não passaram da fase de planejamento. Já Maranhão apresenta o pior quadro, com apenas 3 projetos finalizados entre 385 prometidos. O total de empreendimentos concluídos no Estado chega a apenas 0,8%. Há ainda 56 obras em andamento. A região Norte, segundo o levantamento, conta com apenas 53 obras realizadas. Nos sete Estados que a compõem – Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins – está prevista a construção de 1.309 empreendimentos.

Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), compilados pelo Contas Abertas, o orçamento da União para o PAC sofre com a demora na liberação de recursos. Estavam previstos desde 2007 R$ 56,3 bilhões, mas somente 37% do montante – R$ 21,2 bilhões – saiu efetivamente dos cofres públicos. O levantamento destaca que a execução das obras em Rondônia é a pior entre todas as unidades da federação. Cerca de R$ 107 milhões foram gastos, de um total de mais de R$ 530 milhões – menos de 20% da previsão inicial.

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