O superintendente de serviços privados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Bruno Ramos, afirmou hoje que as empresas de telefonia móvel serão cobradas mensalmente pela agência para apresentar melhorias aos usuários.

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Segundo ele, as propostas apresentados até o momento, pela Claro e pela TIM, previam metas de melhorias anuais, mas a intenção da Anatel é acompanhar o desenvolvimento de mês em mês.

“As reuniões estão sendo técnicas, atendendo o que a Anatel pede, mas os planos apresentados são amplos. O que queremos é um detalhamento mais completo, com índices mensais. Esperamos para próxima versão uma nova versão”, disse.

Na quarta-feira, a Anatel decidiu suspender a venda de novos chips pelas três das maiores operadoras do país -TIM, Oi e Claro- a partir da próxima segunda-feira.

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A decisão foi motivada pelo número de reclamações dos clientes e por estudos técnicos sobre a infraestrutura e o investimento das empresas no aprimoramento da rede.

TIM

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O superintendente da Anatel também comentou a decisão da TIM, anunciada ontem à noite, de entrar na Justiça Federal para tentar suspender os efeitos da medida contra a operadora.

A empresa foi a mais prejudicada pela decisão da agência e, se não conseguir reverter na Justiça, deixará de vender novas linhas em 18 Estados e no Distrito Federal.

Segundo ele, o encontro com representantes da empresa ontem foi “tenso”.

“Nenhuma empresa nos informou que entraria na Justiça, mas ela têm esse direito. É uma decisão empresarial”, destacou.

Oi

Neste momento, 7 executivos da Oi estão reunidos com a área técnica da Anatel para discutir o plano de metas que deverão apresentar para a agência, em um prazo máximo de 30 dias.

Claro

A Claro chegou a apresentar ontem seu plano de melhorias, mas a agência manteve a punição por considerar que o documento não contempla as exigências.

A Anatel considerou que era um projeto já existente. A agência exigiu das operadoras que apresentem melhorias na qualidade de rede, no complemento de chamadas, na diminuição das interrupções dos serviços e no atendimento correspondente às reclamações dos usuários.

O presidente da empresa pediu desculpas aos consumidores. “Aproveito o espaço para pedir desculpas às pessoas que tiveram problemas de atendimento nas passadas semanas nesses Estados, mas podem ter completa certeza que a Claro está trabalhando para resolver essa situação o mais rápido possível”, disse o presidente da Claro, Carlos Zenteno, na ocasião.

Suspensão

A decisão da Anatel afeta venda de pacotes de voz e dados e foi tomada após a agência avaliar números das três empresas pelos últimos seis meses. Um dos maiores problemas é que as chamadas são interrompidas no meio do telefonema.

Somadas, elas detêm de 70% do mercado de telefonia móvel no país.

As vendas ficarão interrompidas até que as operadoras apresentem um plano de investimento para os próximos dois anos, com metas para resolver problemas na qualidade dos serviços prestados aos consumidores.

As prestadoras deverão apresentar um plano para melhorar a prestação de serviço, detalhado por Estado, em até 30 dias. O plano deve conter medidas capazes de garantir a qualidade do serviço e das redes de telecomunicações, especialmente quanto ao complemento e à interrupção de chamadas e ao atendimento aos usuários.

A Anatel exigirá que as empresas apresentem, nos planos de ajustes, a intenção de melhorias imediatas no atendimento. A agência espera que as adaptações nas redes sejam feitas em seis meses.

A Vivo, que é a maior operadora do país, não será afetada. O mesmo ocorre com CTBC e Sercomtel. Todas as operadoras, porém, serão obrigadas a melhorar os serviços.

Como o número de queixas dos usuários da Vivo não é tão expressivo quanto nas demais, não está prevista suspensão nas vendas da empresa.

A interrupção na comercialização de novas linhas da operadora só vai ocorrer caso ela não apresente o planejamento ou caso não cumpra o acordo que fizer com a agência.