A morte da norte-americana Christina Long, 13, atribuída ao brasileiro Saul dos Reis Jr. reacendeu a discussão sobre os crimes na internet ou que se iniciam na rede. Segundo relatório do comissário Robert Paquete, da polícia local, a garota morreu estrangulada por Reis no estacionamento de um shopping, quando o casal praticava sexo. Os dois se conheceram por meio da internet.

Em São Paulo, não há exemplos como o ocorrido nos EUA. No entanto, os crimes cometidos ou iniciados por meio da rede mundial de computadores já ocasionaram 294 denúncias à Delegacia de Delitos Praticados por Meios Eletrônicos, desde que foi criada há sete meses. O pico de denúncias feitas na delegacia – 79 – ocorreu em fevereiro deste ano.

Para o delegado Youssef Abou Chahin, o uso inconveniente das salas de bate-papo (os chats) são o grande problema da internet. “As pessoas são vítimas de aproveitadores. Elas vêm à delegacia e dizem que se apaixonam por pessoas que nunca viram”, disse. Segundo Chahin, as vítimas de delitos na internet geralmente são pessoas carentes, solitárias ou com abalos psicológicos.

Para o delegado e ex-chefe do Setor de Crimes pela Internet Mauro Marcelo de Lima e Silva, crianças e adolescentes são vulneráveis “à exploração e maldade de maníacos sexuais no computador”. Ele afirmou que alguns desses indivíduos “seduzem as pessoas através do uso de atenção, afeição, bondade e presentes.

“Essas pessoas estão dispostas a dedicar quantidades de tempo e dinheiro consideráveis nesse processo. Eles escutam e se simpatizam com os problemas das crianças. Eles estão a par dos últimos lançamentos, músicas, hobbies e interesses das crianças.”, disse Lima e Silva, que é professor da Academia de Polícia.

Segundo ele, alguns “maníacos” primeiramente coletam e trocam imagens pornográficas com as crianças, enquanto outros buscam encontros face a face com elas através de contatos on-line. “Por trás do teclado, qualquer mal-intencionado pode sustentar fantasias. E os mais jovens são vítimas em potencial”, diz Chahin.

O delegado afirmou que são muito difíceis os flagrantes de crimes na internet. “Principalmente os que tratam de assuntos ligados a sexo. As pessoas tem vergonha de denunciar”.

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