Rio – A Reserva Biológica do Tinguá, na Baixada Fluminense, maior reserva federal no Estado do Rio, perdeu seu maior defensor. O ambientalista Dionísio Júlio Ribeiro Filho, de 59 anos, foi assassinado com um tiro de escopeta na cabeça, na terça-feira à noite. A emboscada foi numa trilha a 300 metros da entrada do parque, perto de sua casa. Segundo amigos, foi uma morte anunciada: ele já havia sido ameaçado diversas vezes, por denunciar a ação ilegal de palmiteiros e caçadores na área preservada. O presidente substituto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Luiz Fernando Merico, que esteve no Rio ontem, afirmou que a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu que a Polícia Federal acompanhasse o caso. A PF informou que desconhecia que Júlio estava jurado de morte. Ainda não há suspeitos. Júlio, como o ativista era conhecido, chegou à região 40 anos atrás, bem antes da criação da reserva. Há 20, ele se mudou para lá, com o intuito de atuar mais de perto em prol do meio ambiente. Júlio fundou o Grupo de Defesa da Natureza, organização não governamental com sede em Tinguá. ?Por tudo que fazia, era um sujeito odiado?, afirmou Márcio Castro, fiscal do Ibama no parque, que acompanhava o trabalho dele desde os anos 80s. O ambientalista percorria a reserva a pé, na companhia de policiais, apontando as práticas ilegais. Entre elas, a extração de palmito, de ervas medicinais e seiva de árvores, além da caça de animais silvestres. Só de palmito, é apreendida, em média, uma tonelada por semana – na semana passada, um palmiteiro foi preso. Muitas vezes, esses grupos recrutam adolescentes para fazer o serviço, que são pagos com dinheiro ou com drogas.