Governo e oposição começam uma queda-de-braço para, de um lado, tentar afundar e, de outro, avançar na abertura da CPI da Navalha, que pretende investigar o suposto envolvimento de parlamentares com a máfia das obras. A possibilidade de ampliação do foco das investigações para a Operação Xeque-Mate – que envolve Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Dario Morelli Filho, seu compadre – reforçou a tática governista de forçar a retirada de parte das 172 assinaturas ao pedido de abertura da CPI.

A oposição tinha conseguido 173 assinaturas, mas um deputado da base governista retirou o apoio ontem. Augusto Carvalho (PPS-DF) um dos encarregados de recolher assinaturas, não quis revelar o nome do deputado que desistiu do pedido de investigação. Também assinaram o documento 29 senadores. Os oposicionistas querem aumentar o número de adesões, porque sabem do esforço dos líderes governistas para impedir a CPI.

O líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), disse que, nesta terça e quarta, os oposicionistas tentarão garantir ?uma margem de segurança maior? do que as 172 assinaturas atuais. Se a CPI da Navalha não se sustentar, a oposição vai investir no pedido de CPI dos Jogos Ilícitos, feito pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Mas, hoje e amanhã, a tentativa ainda será de dar fôlego à CPI da Navalha.

Além da retirada de pelo menos 15 assinaturas, os governistas contam com a saia-justa enfrentada por alguns oposicionistas, especialmente da Bahia e de Sergipe, por causa do suposto envolvimento do deputado Paulo Magalhães (DEM-BA) e do ex-governador João Alves (DEM-SE). Os dois negam qualquer participação na máfia das obras.