As desigualdades regionais ainda são intensas no que diz respeito à esperança de vida no País, segundo destacou o gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Juarez de Castro Oliveira, a respeito da pesquisa Tábuas Completas de Mortalidade, divulgada nesta segunda-feira (3). Enquanto o Distrito Federal, que tem a mais elevada expectativa de vida do Brasil, tinha esperança de vida ao nascer de 75,11 anos, em 2006, no Alagoas, a expectativa era de quase 10 anos a menos, de 66,36 anos, a pior do País.

Segundo Oliveira, as projeções de expectativa de vida mostram que, no Brasil, a esperança de vida ao nascer chegará aos 75 anos em 2015 e aos 78 anos em 2026. No ano passado, a esperança de vida ao nascer na média do País chegou a 72,3 anos. Porém, no caso de Alagoas, as projeções mostram que a esperança só será de 78 anos em 2041, enquanto em São Paulo será alcançada 20 anos antes, em 2021. "Há muito ainda que se percorrer para reduzir as desigualdades regionais persistentes e crônicas e se a evolução dos indicadores continuar assim (no ritmo atual), essas desigualdades vão se perpetuar", alertou.

Ele disse que a pesquisa do IBGE mostra ganhos na esperança de vida dos brasileiros (que em 1960 não ultrapassava 54,6 anos) e na queda da mortalidade infantil, "mas esses ganhos poderiam ser muito mais significativos ao ponto de reduzir as desigualdades regionais".

"Há quase 30 óbitos separando os estados com a menor (RS) e a maior (AL) taxa de mortalidade", sublinhou. "A pesquisa chama atenção para a questão da segurança pública e a necessidade de universalização da saúde no País", acrescentou.