Brasília
– A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de abrir processo administrativo disciplinar contra o ministro Vicente Leal e de afastá-lo do cargo repercutiu entre magistrados e dirigentes de entidades de classe. Sem analisar o mérito da decisão, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, avalia que, diante do placar do julgamento, “houve base para o afastamento” de Vicente Leal, suspeito de “vender” habeas-corpus a traficantes.Anteontem, em sessão secreta que durou 12 horas, os ministros do STJ aprovaram, por unanimidade, o afastamento de Vicente Leal do cargo.Foram 30 votos a zero. Entre os votos a favor, estava o do presidente do STJ, ministro Nilson Naves, que apoiou os termos do relatório de uma comissão que avaliou serem suficientes os indícios para a instauração do procedimento administrativo e o afastamento.
Só foram computados dois votos contra o pedido de abertura de processo, os dos ministros Sebastião de Oliveira Castro Filho e Paulo Medina. Mas, na segunda votação, eles foram favoráveis ao afastamento do colega. Para um ministro que votou pela investigação contra Vicente Leal, o STJ mostra à sociedade que o tribunal está no ritmo de mudança da Justiça. Segundo ele, se for necessário, outros magistrados poderão ser afastados pelo STJ. O ministro avalia que o STJ vai levar em frente todos os casos com indícios de irregularidades porque precisa valorizar o respeito às pessoas.


