Foi uma estratégia arriscada, mas acertada. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pelo Estado sobre a fato de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá terem prestado depoimento nesta sexta-feira (18), abrindo mão do direito de ficarem calados.

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"A estratégia foi pelo bom senso, embora bom senso e senso jurídico não se confundam", avaliou o jurista Alberto Toron, secretário-geral adjunto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Ele explicou que seria difícil o casal não falar nada porque o caso é emblemático. Causaria certo estranhamento. "Mataram seu filho e você não vai falar nada?", questionariam as pessoas. Por outro lado, para evitar esse desgaste, Alexandre e Anna Carolina se arriscaram a agravar ainda mais sua situação no inquérito policial, porque, nervosos, poderiam se contradizer.

Para a criminalista Wilma Moretti, o depoimento também serve como demonstração à polícia que o casal está disposto a colaborar com as investigações, o que complica a decretação de uma prisão preventiva. Dificultar o trabalho da polícia é um dos requisitos para prender alguém preventivamente.

Wilma e Toron concordam que, juridicamente, o fato de ficarem calados não poderia influenciar no andamento do caso porque a Constituição consagra o direito de averiguados e réus ficarem em silêncio e diz claramente que isso não pode ser visto como sinônimo de culpa. Ou seja, na Justiça, quem cala, não consente. Mas, na prática, a história é outra porque as autoridades envolvidas na investigação também pode ficar influenciadas pelo estranhamento que esse tipo de conduta causa.

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"Se não falassem, poderia ser um indicativo de responsabilidade, do ponto de vista da psicologia forense – não juridicamente. Ficaria estranho que um inocente se negasse a prestar esclarecimentos para ajudar na elucidação do caso. Isso pegaria no bom senso do homem médio, especialmente do operador da Justiça (delegados, promotores, juízes)", explicou o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.