Fabrício Fernandes Mirra, conhecido como Mirra, acusado de liderar milícia, foi condenado a mais de 12 anos de prisão, em regime fechado, pelo crime de formação de quadrilha armada em nova sentença prolatada pelo Juízo da 21ª Vara Criminal do Rio. Mirra já havia condenado em processo anterior, de 2009, a oito anos de reclusão em regime inicialmente fechado.

A nova condenação diz respeito ao processo resultante do desmembramento da ação penal referente à operação “Leviatã 2”. Este processo inclui apenas os dois líderes do bando que estão presos no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. Há outro processo contra os demais denunciados pelo Ministério Público do Rio como integrantes do bando.

A sentença, que atendeu pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), também condenou Marcelo Pereira Menigette Paulo, vulgo Pit Bull, outro líder da milícia Águia de Mirra, que foi condenado a 10 anos de reclusão.

“A condenação foi importante no sentido de afastar o comando da milícia da área em que atua pelo maior tempo possível, evitando sua reorganização”, diz o Promotor de justiça Claudio Varela, Coordenador do GAECO.

Investigação

A investigação, a cargo da DRACO-IE, estendeu-se de março de 2008 a maio de 2009, quando houve a operação. A denúncia, oferecida pela 1ª Central de Inquéritos, diz que uma nova quadrilha foi formada por Mirra, já preso no Complexo de Gericinó, Menigette, então em liberdade, e Alexandre Dantas de Mello Alves, vulgo Dantas, para recuperar antigas áreas de atuação. Mirra e Dantas são ex-policiais militares e Menigette é policial militar.

De acordo com a denúncia, a quadrilha, mediante a prática de crimes como extorsões, homicídios e roubos, exercia o controle das comunidades da Palmeirinha (Guadalupe), Fernão Cardim, Guarda e Águia de Ouro (Del Castilho). Também estendeu seus domínios às comunidades de Belém-Belém e Rato Molhado (Del Castilho), Malvinas, Boiúna, Estrada do Rio Grande, Cabeça de Porco, Nova Aurora e Jordão (todas em Jacarepaguá), conjunto residencial da Estrada do Rio do Pau (Anchieta) e Morro do Dezoito (Piedade).

Segundo as investigações, o grupo ainda cobrava taxas de segurança de moradores e comerciantes, atuava no comércio ilegal de gás, no transporte alternativo, na exploração de “gatonet” e na cobrança de “impostos” para venda e construção de imóveis.