O prejuízo causado aos cofres públicos pelos acidentes nas estradas em todo o País é de aproximadamente R$ 22 bilhões ao ano, de acordo com a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Considerando somente o Estado de São Paulo, o estudo mostrou que nesse período foram gastos R$ 503 milhões com acidentes nas rodovias federais, R$ 3,3 bilhões nas estaduais e R$ 411 milhões nas municipais.

Segundo a técnica do Ipea Patrícia Morita, esses custos incluem a perda de produção da pessoa que fica sem trabalhar, inválida ou morta, os gastos com saúde e resgate, a reabilitação, os danos aos veículos, a perda da carga do caminhão, a remoção do veículo e o translado da carga, além de danos às propriedades pública e privada. O custo médio de uma pessoa que sai ilesa de um acidente com caminhão é estimado em R$ 1.207. Já um ferido resulta em um ônus ao governo de R$ 38.256; uma vítima fatal chega a custar R$ 281.216.

Para a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), os acidentes e mortes no Brasil ocorrem por causa das más condições de trabalho a que são submetidos os motoristas de caminhões. A entidade já denunciou que cerca de 8% dos condutores adquirem rebites – medicamentos que combatem o sono – dentro da própria empresa em que trabalham. A droga é usada para que a longa jornada de trabalho seja completada sem interrupções.

Outro dado preocupante no estudo é o número de mortes por atropelamentos. Os atropelados são as vítimas fatais mais freqüentes em acidentes nas rodovias federais. A cada 3,4 casos ocorre uma morte. São cerca de 4 mil atropelamentos ao ano, um a cada duas horas. Minas, Rio, São Paulo, Santa Catarina e Paraná lideram esse ranking, com 54% das mortes de pedestres, e 12 rodovias federais detêm 75,3% das ocorrências com atropelados. A maioria dos acidentes envolvendo pedestres ocorre à noite, normalmente no período das 18 às 20 horas.