Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Paulo de Tarso e Okamotto, frente a frente: troca de insultos.

Foram quase cinco horas de acareação com o ex-petista, Paulo de Tarso Venceslau, e o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Paulo Okamotto, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos. Okamotto continuou firme em seu propósito de não tornar público seu sigilo bancário e fiscal, protegidos por liminar no Supremo Tribunal Federal.

Durante todo o tempo, oposicionistas reforçaram a importância de Okamotto abrir sua movimentação financeira para esclarecer de onde saiu o dinheiro para o pagamento de um empréstimo de R$ 29 mil que ele fez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PT.

O líder do PFL no Senado, José Agripino, chegou a afirmar que a quebra do sigilo de Okamotto tornou-se uma questão imprescindível e que a partir do momento que o presidente do Sebrae se recusa em permitir a abertura de sua movimentação financeira, ele reforça a suspeita de que tenha utilizado recursos provenientes do "valerioduto" para pagar as contas de Lula.

Desta vez, até o senador petista, Tião Viana (AC), defendeu a importância de Paulo Okamotto abrir seu sigilo bancário. Desta forma, segundo o parlamentar, o presidente do Sebrae estará mostrando à sociedade que não fez movimentações financeiras irregulares. "Creio que no momento oportuno Paulo Okamotto vai rever sua decisão pessoal e revelar de uma vez por todas seu sigilo bancário para que não paire nenhuma dúvida de sua honradez", disse Viana, em entrevista à imprensa.

Paulo Okamotto explicou que tem direito e garantias individuais, assegurados pela Constituição Federal, de não abrir o seu sigilo bancário, e por isso permanece firme em seu propósito. Ele negou haver qualquer movimentação financeira irregular em suas contas.

Paulo de Tarso Venceslau, que foi secretário municipal de Campinas e de São José dos Campos, voltou a acusar Okamotto de recolher doações ilegais de campanha eleitoral ? o chamado caixa 2 ? junto a empresas que prestavam serviços às prefeituras. Ele também acusou o presidente do Sebrae de ter sido o responsável por sua demissão da prefeitura de São José dos Campos.

Durante todo o tempo, Okamotto negou as acusações e classificou como "mentirosas" as declarações do ex-petista. "Eu nunca pedi lista nenhuma com o nome de fornecedores que atendiam as prefeituras e não tinha motivo nenhum para pedir a sua demissão da prefeitura", explicou.

Durante a acareação, Okamotto também foi indagado pelos senadores da oposição se cuidava das finanças do presidente Lula e de outras pessoas ligadas ao PT. Em resposta, Paulo Okamotto negou que seja o responsável pela administração das contas pessoais do presidente da República.

A acareação entre Okamotto e Venceslau deveria ter sido realizada no último dia 28, mas foi suspensa por conta de liminar concedida pelo ministro do STF, Eros Grau, em favor do presidente do Sebrae.

A realização da acareação hoje foi assegurada por decisão do ministro do Supremo, Sepúlveda Pertence, com a garantia dada a Okamoto de responder apenas a perguntas que esclarecessem pontos de divergências de declarações dadas anteriormente dois depoentes, que já haviam comparecido à CPI dos Bingos.