930 mil crianças deixam o trabalho

Brasília – O governo federal conseguiu tirar do trabalho 930 mil crianças em 2.790 cidades, desde 1996. Dados da última Pesquisa Nacional de Amostragem realizada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que mais de 2 milhões de crianças trabalham no Brasil. De acordo com a coordenadora do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Margarida Munguba, ?a ação contra o trabalho infantil tem que ser permanente?. Ela disse que é preciso estar constantemente alerta, porque o trabalho infantil depende de atividades econômicas que em determinado momento são mais atrativas em algumas regiões.

Segundo ela, o trabalho infantil depende da dinâmica da produção industrial e agrícola. Ela citou como exemplo o fato de que, às vezes, é vantajoso trabalhar numa indústria de calçados que fechou um grande contrato para exportação e então muitas famílias são atraídas para o trabalho. ?Na agricultura, na época da colheita, ocorre maior procura de trabalhadores e as crianças acabam sendo envolvidas. Por isso, o combate ao trabalho infantil tem que ser permanente?, explicou a coordenadora.

Margarida lembrou que, para erradicar o trabalho infantil, é preciso conscientizar as famílias. ?O trabalho infantil não é combatido apenas com o pagamento de uma bolsa. É preciso mostrar às famílias novas alternativas de vida por meio da inserção em programas de geração de renda, do estímulo à participação em programas de alfabetização, melhorando a escolaridade dos pais e não só a dos filhos?, acrescentou.

A coordenadora do Peti informou que em Assunção, na Paraíba, 100 crianças que estavam trabalhando em atividade de alto risco serão incluídas no Programa de Erradicação do Trabalho Infantil a partir de maio. ?Depois de uma denúncia da prefeitura local, nós identificamos 100 crianças e adolescentes que, a partir de maio, começam a receber.? Denúncias sobre a ocorrência de trabalho infantil podem ser feitas pelo telefone 0800 707 2003 ou nas delegacias regionais do Trabalho.

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