Brasil sairá em pouco tempo do ranking de concentração fundiária, diz ministro

Se o país continuar assentando as famílias de agricultores no ritmo em que se faz hoje, nos próximos cinco ou dez anos, o Brasil não estará mais entre os países com maior concentração fundiária. A afirmação foi feita pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. 

"A concentração de terras em nosso país é maior que a concentração de renda. E isso é um elemento gerador de conflitos. O Brasil ainda não enfrentou o tema da reforma agrária, que os países desenvolvidos resolveram no início do século 19", afirmou Cassel.

Ele comemorou o dado divulgado pelo governo nesta semana de 381.419 famílias assentadas nos últimos quatro anos. "É muito importante o dado de assentamento das 381 mil famílias. Porque pela primeira vez que em tão curto espaço de tempo, se enfrenta essa demanda de uma maneira tão positiva. Além disso, quando assentamos 381 mil famílias, estamos diminuindo conflito."

O ministro disse que o próximo desafio é a qualidade da produção dos assentamentos. "Investimos R$ 2 bilhões na qualificação dos assentamentos e hoje temos 80% das famílias assentadas com assistência técnica", disse. Mas, segundo Cassel, a idéia é universalizar o número de famílias assistidas. "Queremos chegar até o final de 2007 com 100% das famílias com assistência técnica."

Cassel disse que o objetivo é que o país não encare os assentamentos como "favelas rurais e espaços de pobreza".  "Queremos que  todos os asssentamentos no país sejam espaços no meio rural onde a sociedade brasileira possa enxergar muito trabalho e muita produção", disse.

Para o ministro, o país irá acelerar o processo de reforma agrária quando os índices de produtividade forem atualizados. Ele reconhece que os índices estão defasados em 35 anos. "Conversei essa semana inclusive com o presidente da República sobre isso. O presidente é sensível à necessidade de rapidamente a gente reajustar esse índice para os padrões de produtividade atual", disse. O projeto de atualização dos índices está na Casa Civil para ser aprovado.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) reagiu, esta semana, ao anúncio dos números da reforma agrária dizendo que esperava um maior empenho na área. Para a Contag, o conjunto das ações do governo federal nos últimos quatro anos ficou aquém do previsto no plano de 2003

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