Há algumas semanas, num discurso visando proclamar a independência e o orgulho nacional, quando alguns governantes, como Bush, buscam submeter o mundo à sua vontade e aos interesses de seus países, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou no Brasil como potência mundial. Somos um grande país, temos um grande povo e se tivermos desenvolvimento econômico, independência e competência, poderemos figurar ao lado das grandes potências em futuro não muito distante. Neste mundo globalizado há interdependência entre os povos. Não podemos produzir tudo o que necessitamos e sempre teremos de integrar o conjunto das nações, participando do sistema de trocas com independência, mas sem xenofobismo. É uma questão de mercado e vocações. Há coisas de que precisamos e não podemos produzir ou porque não temos as matérias primas, a tecnologia ou porque o nosso mercado não justifica, sozinho, o investimento. O mesmo acontece com todos os países. Todos são interdependentes. Mas há que se proclamar, como fez Lula, a nossa soberania e exigir o respeito de nossos parceiros. São parceiros e não patrões.

A situação mundial, depois da guerra com o Iraque e diante do belicismo ainda não amainado de Bush e dos Estados Unidos, nos causará dificuldades. Mas também nos proporcionará a oportunidade de nos transformar em refúgio para capitais de várias partes do mundo. A insegurança que se instala no Oriente Médio e na Ásia; as ameaças norte-americanas à Coréia do Norte, à Síria e ao Irã e os desencontros entre Rússia, França e Alemanha com os EUA, que não apoiaram no conflito contra Saddam Hussein, criaram nos grandes investidores temores fundados. Muitos dos destinos antes eleitos para aplicação de seus capitais estão hoje sob suspeita. E o Brasil pode surgir como uma opção segura, na medida em que o governo Lula prossiga no seu rigoroso ajuste fiscal e continue realizando um governo sério, honrando os compromissos assumidos pelo Brasil.

A candidatura do Brasil à condição de grande potência não depende apenas de vontade. Precisa de investimentos em infra-estrutura, como estradas de ferro, rodovias, energia elétrica, educação etc.. E segurança para as pessoas e para os capitais imigrantes. Temos um território do tamanho dos Estados Unidos. Temos uma indústria desenvolvida, uma agricultura respeitável e um setor de serviços dinâmico. O Brasil não é um país subdesenvolvido, embora tenha enormes bolsões de subdesenvolvimento. É um país em desenvolvimento, no meio caminho para a grandeza sonhada pelo presidente Lula. Precisamos estruturar de forma objetiva o nosso mercado de capitais, tornando-o transparente, aberto ao capital estrangeiro e cioso dos interesses nacionais.

É preciso divulgar o Brasil mundo afora, acabando de vez com as imagens distorcidas ou a ignorância que sobre nós têm outros povos. É preciso que façamos propaganda e da melhor qualidade. Oficial, do governo e da iniciativa privada, em todos os centros investidores existentes no mundo. Propaganda mostrando que aqui vale à pena investir porque somos um povo pacífico e trabalhador, vivendo longe das guerras, sejam religiosas ou de interesses territoriais e econômicos que perturbam o mundo. O Brasil é um bom negócio.