O Brasil assinará acordos diversificados com os cinco países africanos que serão
visitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até a próxima quinta-feira
(14). Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em alguns países
a ênfase maior será comercial. Noutros, cultural ou política ? dependendo do
potencial de cada um. "Procuramos ter uma relação equilibrada, sem discriminar
países grandes e pequenos", declarou o chanceler em entrevista logo após a
chegada à República de Camarões nesse domingo (10) à tarde. A missão, iniciada
ontem, inclui Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal.

Amorim lembrou que,
no discurso de posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou a África
como prioridade de política externa. Com esta viagem, Lula terá visitado 14
países africanos desde o início de seu mandato ? mais do que todos os
presidentes anteriores, de acordo com Celso Amorim. Neste período, o intercâmbio
comercial entre Brasil e África deu um salto.

Segundo dados do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as exportações
brasileiras para a região cresceram 48,42%, totalizando US$ 4,24 bilhões. As
importações atingiram a cifra de US$ 6,18 bilhões – 88,75% a mais do que em
2003. "Importamos sobretudo petróleo da Nigéria e exportamos coisas variadas de
maneira bastante distribuída", explicou o ministro. "Em alguns, países, como
Camarões, a relação ainda é pequena comercialmente, na faixa dos US$ 30 milhões,
mas há um grande potencial", assegurou.

Segundo Celso Amorim, os temas
mais importantes em matéria de cooperação são pesquisa, educação e saúde. O
ministro destacou , por exemplo, um acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) na Nigéria. Também há grande possibilidade de ser fechado
acordo de transferência de tecnologia para laboratórios de anti-retrovirais. Em
Gana, deve ser assinado acordo para a criação de linhas aéreas para o Brasil ?
hoje, um empresário brasileiro que queira ir àquele país precisa passar por
Londres. Na Guiné-Bissau, destaca-se projeto para criação de um centro de
formação profissional com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai), semelhante a outro feito em Angola. Quanto ao Senegal, o ministro
destacou a relação de ordem cultural ? por sugestão do Senegal, a próxima
reunião dos intelectuais africanos será no Brasil em 2006.

Temas
multilaterais devem entrar na pauta em todos os países visitados. A reforma das
Nações Unidas, segundo o ministro, será tratada, pois é um tema que está na
ordem do dia. Celso Amorim enfatizou, no entanto, que não é o caso de pedir
manifestação explícita de apoio ao Brasil a uma vaga no Conselho de Segurança
pois demandaria reciprocidade. Mas prevalecendo a opção que estabelece uma vaga
para a América Latina, o ministro assegurou: "Não tenho dúvida de qual será a
escolha dos países que estamos visitando". Em discurso de recepção ao presidente
Lula, na noite desse domingo, o presidente de Camarões, Paul Biya, declarou seu
apoio ao Brasil.