O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje, no Recife, na escala técnica do vôo presidencial com destino a Roma, para o enterro de João Paulo II, que a novidade da viagem era a reunião de ex-presidentes e presidentes dos Três Poderes. "Isso mostra que no Brasil estamos fazendo política de forma civilizada, madura", disse em entrevista exclusiva ao comunicador Geraldo Freire, da "Rádio Jornal", único que teve acesso à sala onde a comitiva tomou café da manhã durante a escala de cerca de 40 minutos, pela manhã, no Aeroporto Internacional do Recife.

"Podemos ter divergências, mas todos temos interesse que o Brasil cresça, que gere riqueza e essa riqueza seja distribuída." Além dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e José Sarney (PMDB), o ex-presidente Itamar Franco vai se juntar à comitiva, que chega hoje à Itália.

Muita fé

Lula disse que o Papa representava muito para o mundo, "sobretudo para o Brasil, o maior país católico do mundo". Ele reafirmou ser "um homem de muita fé", disse que a relação com Deus não precisa se tornar pública e reconheceu não ser freqüentador da Igreja. "Já fui mais do que hoje, até porque não tenho tempo." Disse, porém, que quando vai à missa comunga sem problema. "Fui coroinha quando jovem e sou um homem que não preciso provar a cada dia que sou católico ou que creio em Deus."

O presidente explicou que a viagem a Roma – com líderes de outras religiões – representa um ato de agradecimento do povo brasileiro ao que significou o Papa nesses 26 anos, lembrando que ele "simbolizou a paz nesse período".

Para o presidente do Infraero, Carlos Wilson, esta foi a viagem mais ecumênica que ele já testemunhou. O prefeito do Recife, João Paulo (PT) afirmou que o presidente tem "alma pura" e está cada vez mais querendo acertar. A comitiva, com representantes de várias religiões e facções políticas e ideológicas, de acordo com o prefeito, é um gesto que sinaliza a forma pacífica do presidente.

A ausência da mãe-de-santo Mãe Nitinha provocou um comentário do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP) a Geraldo Freire: "A mãe-de-santo não tem mais força, quem tem força são os católicos". Severino espera que próximo escolhido possa fazer "pelo menos 50% do que fez João Paulo II".