O Brasil está ampliando seus esforços para importar mais dos vizinhos sul-americanos. "Isso é uma novidade", admitiu o embaixador Mario Vilalva, diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty. "Estamos habituados a promover as exportações, mas temos de incentivar o equilíbrio na balança comercial com os vizinhos se quisermos concretizar a integração comercial e física na região." Na sua avaliação, só um fluxo de comércio intenso justificaria investimentos em infra-estrutura.

Segundo o embaixador, o Brasil teve superávit da ordem de US$ 1 bilhão com o Chile em 2003. A Colômbia teve déficit da ordem de US$ 650 milhões, o Equador US$ 330 milhões e a Venezuela, US$ 230 milhões. De acordo com seus cálculos, se o Brasil quisesse equilibrar de uma vez a balança comercial com toda a América do Sul teria uma redução da ordem de US$ 2 bilhões em seu superávit. "Esses US$ 2 bilhões fariam a felicidade dos países", comentou. Segundo Vilalva, em 1998 o comércio do Brasil com a América do Sul atingiu US$ 23,7 bilhões e, em 2003, o número estava reduzido a US$ 17,8 bilhões.

O governo brasileiro está montando um programa de "substituição competitiva de importações", onde estão sendo mapeados produtos fabricados na América do Sul e que o País importa de outras regiões. Essa iniciativa tem sido tão surpreendente para os vizinhos que até é recebida com desconfiança. "Teve país que achou que o Brasil tinha uma segunda intenção, que ia cobrar algum tipo de taxa ou alguma coisa parecida", disse Vilalva.

Paralelamente à Reunião de Cúpula do Mercosul, foi realizada uma rodada de entendimentos com o governo do Chile, para promover produtos brasileiros lá e vice-versa. Os chilenos apresentaram uma lista com cem produtos que gostariam de ver promovidos no Brasil. Foi decidido que será contratada uma consultoria para levantar o que o País poderia comprar do Chile e vem comprando de terceiros mercados.