Depois de registrar um desconto significativo em sua oferta inicial de ações e de adiar o início das negociações na Bolsa de Valores de São Paulo por causa de dúvidas sobre a composição societária, a Brasil Ecodiesel estréia hoje sob o efeito de um balanço negativo no terceiro trimestre e com desistências de última hora por parte de pequenos investidores

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Diante de tantas turbulências, cresce a expectativa sobre qual será o comportamento dos papéis, uma vez que eles foram precificados a R$ 12,00, 29,5% abaixo do piso inicialmente sugerido pela companhia – o intervalo variava de R$ 17,00 a R$ 22,00. A empresa só prosseguiu com a oferta porque precisa dos recursos para construir usinas com a finalidade de aumentar sua capacidade de produção, sua única maneira de atender a contratos já firmados.

O balanço, divulgado ontem, acusou prejuízo líquido de R$ 1,682 milhão no trimestre e perda de R$ 4,865 milhões no acumulado de 2006. Como a Brasil Ecodiesel foi envolvida em uma polêmica sobre um sócio oculto da empresa, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) solicitou à companhia que acrescentasse informações ao prospecto de sua oferta.

Por conta disso, os investidores que já haviam feito reservas de ações tiveram prazo até ontem para desistir da operação. Como resultado, o rateio dos pedidos de varejo passou para R$ 4.068 00, ou 339 ações, ante o rateio inicial de R$ 2.172,00 (181 ações) divulgado logo após a formação de ofertas. O número efetivo de desistências ainda não é conhecido.

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Apesar dos percalços da oferta, o cenário de mercado para a Brasil Ecodiesel é muito positivo. A produção de biodiesel deverá crescer 300% nos próximos cinco anos em todo o mundo, segundo previsão da processadora americana Archer Daniels Midland (ADM). No Brasil, o biocombustível pode roubar mercado da Petrobras na região Centro-Oeste, área agrícola com maior perspectiva de crescimento nos próximos anos no País. Plantas de processamento de óleo de soja para a produção de biodiesel, que estão sendo projetadas por investidores nacionais e estrangeiros além de produtores locais, são vistas como alternativas para reduzir o custo com a operação de máquinas e transporte de grãos. A idéia é utilizar o biodiesel na proporção de 100% para abastecer máquinas e caminhões, ou seja, sem misturá-lo ao óleo diesel.