Brasília – O Brasil é o recordista mundial no recolhimento de embalagens de agrotóxico. A informação foi divulgada hoje pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em reunião com representantes do Comitê de Sanidade Vegetal do Cone Sul (Cosave) e do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Ipev).

Desde julho de 2003 entrou em vigor a lei 9.974, de 2000, que regulamenta a devolução desses recipientes. A lei é dura e prevê penalidade para o infrator. O produtor rural que se recusar a devolver a embalagem pode ser preso, além de ter de pagar multa de até R$ 1,2 mil. Antes, esse material era abandonado nas áreas próximas às de plantio e contaminava os alimentos e os recursos naturais do local. ?O Brasil é o único país do mundo a ter uma legislação específica para tratar desse assunto?, garante João César Rando, diretor-presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias.

De acordo com Girabes Ramos, diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura, o recorde torna o Brasil referência mundial de responsabilidade com a preservação da natureza. ?Conseguimos recolher mais embalagens do que países desenvolvidos como a Alemanha e os Estados Unidos. Isso significa que o brasileiro está preocupado com o meio ambiente?, orgulha-se.

Em 2003, o Brasil recolheu 7.850 toneladas de embalagens de agrotóxicos. Somente a Bahia recolheu 64% das embalagens utilizadas no estado, segundo o presidente do Inpev. A meta para este ano é que mais de 12 mil toneladas sejam reutilizadas. Em janeiro e fevereiro passados o Brasil recolheu 160% a mais de embalagens do que o mesmo período do ano passado. ?Sem dúvida vamos bater mais um recorde?, prevê Girabes Ramos.

Atualmente, a indústria consegue transformar as embalagens de agrotóxicos em 15 tipos de produtos. Uma embalagem metálica, por exemplo, pode ser usada na fabricação de vergalhões e outros produtos da construção civil.