Brasil e Argentina discutem sobre vaga no Conselho de Segurança da ONU

O ex-ministro da Defesa José Viegas desembarcou hoje (05) na capital argentina, como enviado especial do Planalto, para tentar dialogar com o chanceler Rafael Bielsa sobre as aspirações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que o Brasil ocupe uma eventual vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. A proposta de um lugar perpétuo na ONU para o país vizinho causa urticária nos integrantes do governo do presidente Néstor Kirchner. O próprio "El Pingüino" (O Pingüim), como é conhecido popularmente, considera que hipotética presença do Brasil no Conselho da ONU aumentaria de forma significativa o protagonismo do governo Lula na região.

Kirchner já acumula uma aguda dor de cotovelo pelo papel ostensivo assumido pelo Brasil nas recentes crises políticas em países da América do Sul, principalmente o Equador. De quebra, caíram como um balde de água fria na Casa Rosada as declarações elogiosas do governo americano à "liderança" do Brasil na região.

Na agenda de Bielsa, o encontro com Viegas estava marcado para hoje no fim do dia.

Recentemente, o vice-chanceler argentino, Jorge Taiana, sustentou que a criação de uma vaga permanente – que poderia ser ocupada pelo Brasil – criaria "um fator adicional de instabilidade na região".

Segundo Taiana a cadeira permanente "alteraria de forma desnecessária os equilíbrios regionais ao estabelecer hegemonias que hoje em dia não existem". Sem especificar quais seriam as "instabilidades" e as "hegemonias" criadas, o vice-chanceler também alertou a ONU para não sacrificar a "legitimidade e o consenso em nome de interesses individuais". A referência aos interesses "individuais" foram interpretadas como um recado direto contra os planos do Brasil.

Rechaço

Os diversos argentinos que ocuparam "el sillón de Rivadavia" – como é conhecida a cadeira presidencial deste país – desde os anos 90, opuseram-se com tenacidade à discussão sobre a criação de um posto permanente adicional no Conselho da ONU. Mais especificamente, todos os presidentes nos últimos 15 anos realizaram uma intensa campanha contra as aspirações do Brasil de ocupar esse posto.

O primeiro a realizar uma cruzada anti-brasileira foi o ex-presidente Carlos Menem (1989-99). "El Turco", como era chamado, tentou até elevar o decadente status militar do país (em acelerado declínio desde a derrota na Guerra das Malvinas, em 1982), obtendo dos EUA a nomeação do país como "aliado extra-OTAN".

Menem argumentava que era a Argentina o país que merecia ocupar o posto permanente no Conselho. No pior dos casos, podia compartilhá-lo com o Brasil. Mas, jamais o Brasil deveria ocupar o lugar sozinho. Menem fez escola, já que esta linha foi seguida pelos ex-presidentes Fernando De la Rúa (1999-2001) e Eduardo Duhalde (2002-2003), além de Kirchner.

Siga a Tribuna no Google, e acompanhe as últimas notícias de Curitiba e região!
Seguir no Google
Voltar ao topo
O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Ao comentar na Tribuna você aceita automaticamente as Política de Privacidade e Termos de Uso da Tribuna e da Plataforma Facebook. Os usuários também podem denunciar comentários que desrespeitem os termos de uso usando as ferramentas da plataforma Facebook.