Para os investidores estrangeiros, o Brasil parece estar sempre na corda bamba. Qualquer evento indesejável, mesmo que ocorra fora do ambiente financeiro ou econômico, é suficiente para abalar a confiança em nosso País e conter os investimentos que poderiam vir para gerar empregos, renda e tributos. É o que desejamos e precisamos.

Em parte temos culpa. Este é um País com inúmeros defeitos, o maior deles uma má distribuição de riquezas, elevada criminalidade e excessiva presença do governo na economia, seja diretamente, intervindo, ou como regulador.

Mas é certamente exagero um jornal do prestígio internacional de um Financial Times, que pode influir no ânimo dos investidores dos países desenvolvidos em relação às aplicações em nosso País, fazer publicamente uma advertência de que podemos estar tendo um "boom" de crédito. E que aí está a raiz dos problemas que o Banco Santos está sofrendo e que podem atingir também outras instituições financeiras.

O problema do Banco Santos pode ser grave para seus controladores e clientes, mas é um grão de areia dentro do sistema financeiro brasileiro. Esse banco, que a maioria dos brasileiros nem sabia existir, antigo e tradicional, porém regional, tornou-se mais conhecido recentemente, com a propaganda que vem fazendo nos meios de divulgação.

Trata-se de um banco pequeno, com um patrimônio avaliado em somente R$ 600 milhões. Sua dívida global é calculada em cerca de R$ 700 milhões e entre seus credores está até o PT, que tem aplicados em um de seus fundos algo em torno de R$ 500 mil. Segundo o presidente do PT, José Genoino, dinheiro destinado à construção da sede petista em Santos. O Banco Santos é um banco que trabalha no atacado, ou seja, negócios poucos para poucos clientes, geralmente captação e gestão de fundos de investimentos.

Está longe de ombrear-se com os grandes bancos brasileiros e distante de poder, com o seu problema de liquidez, contaminar o sistema financeiro.

No mais, como falar em "boom" de crédito, ou seja, excesso de dinheiro emprestado pelos bancos, quando na verdade as grandes instituições financeiras estão retraídas e mais retraídos ainda os clientes. Com as taxas de juros nas alturas, o risco de emprestar é alto, o que leva à contenção dos bancos. E à retração dos tomadores.

Na próxima reunião do Copom, aposta-se em mais uma alta dos juros básicos, o que torna a situação de aperto e não de explosão de crédito. Não obstante, é bom que as autoridades e os meios de divulgação cuidem para deixar o público bem orientado. Já tivemos, no passado, riscos que poderiam transformar-se em sistêmicos no mercado financeiro, o que fez com que o governo criasse um fundo de socorro até agora mal explicado e, principalmente, mal compreendido.

O Banco Santos, até o momento, não está em fase de fechamento. Está apenas sob intervenção e, se somente R$ 700 milhões o salvariam, há o caminho do socorro oficial, o da entrada de novos grupos financeiros como sócios e até o da venda da instituição.

Ao contrário do que alardeia o Financial Times, prejudicando o Brasil com suas mal colocadas notícias, o sistema financeiro nacional parece muito sólido. Sólido demais, se acharmos que o entesouramento é boa política.

Antes de falarmos em "boom" de crédito, melhor que pensemos em aumentar a oferta de dinheiro. As empresas brasileiras estão carentes de recursos para desenvolver-se e o que é preciso é não um "boom", mas efetivamente um aumento da oferta de crédito. E mais barato.