Brasília – O Ministério de Relações Exteriores admitiu nesta segunda-feira (7) a possibilidade de interromper as operações de resgate no Líbano caso a situação do conflito continue se agravando. No sábado, a estrada usada para retirar brasileiros do Vale do Bekaa, no leste do país, foi bombardeada por Israel ? que um dia antes havia destruído duas pontes na rodovia que liga Beirute ao norte do país, outra rota muito utilizada para a fuga.

?À medida em que há mais bombardeios nas estradas, a situação fica mais difícil. Pode ser necessário que as operações de resgate sejam suspensas. Temos que ter muito cuidado?, admitiu o coordenador do apoio aos brasileiros no Líbano, Everton Vargas, em entrevista coletiva.

O embaixador, no entanto, frisou que as operações não estão no fim e que o intuito é continuar operando o resgate enquanto houver brasileiros que queiram deixar o Líbano, pois esta é a função do governo. Segundo o Itamaraty, mais de 900 pessoas ainda aguardam a oportunidade de sair do país: 392 estão em Damasco, na Síria, 320 em Adana, na Turquia, e 220 no Líbano, sendo 100 em Beirute e cerca de 120 no Vale do Bekaa. No vale, a população estimada de brasileiros é de 10 mil.

Ao ser questionado se o Itamaraty tem um plano B caso o resgate por terra seja inviabilizado, o embaixador limitou-se a dizer que espera que as negociações diplomáticas na Organização das Nações Unidas sejam exitosas ?e tenhamos um cessar-fogo imediato?. Segundo estimativas do Itamaraty, quase 3 mil brasileiros já deixaram o Líbano.

O chanceler Celso Amorim também teria dito que as operações podem ser suspensas e por isso os brasileiros devem se apressar para deixar a zona de conflito, segundo divulgou a imprensa brasileira hoje. O conflito tem recrudescido. O Hizbollah intensificou os ataques no fim de semana, matando 15 pessoas, segundo agências internacionais.