O presidente Lula vai continuar viajando pelo País mesmo após ser aclamado candidato à reeleição, não mais para presidir a inauguração de pedras fundamentais – alguém sabe o que é isso? – até porque esta é uma atividade proibida pela legislação eleitoral aos ocupantes de cargos executivos a partir de 1.º de julho. A ação presidencial estará limitada às tarefas de apontador de obras iniciadas em seu governo, algumas programadas para entrar em operação somente em 2010. Olha aí a outra coincidência feliz: as obras iniciadas agora serão inauguradas pelo presidente no último ano do hipotético segundo mandato.

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, ao dar ciência aos jornalistas do roteiro de atividades do presidente após o lançamento formal da candidatura nos próximos dias, afiançou a manutenção da agenda costumeira de audiências e reuniões de trabalho com os ministros, reservando-se os finais de semana para as viagens relativas à campanha eleitoral propriamente dita.

Enquanto as equipes selecionadas para elaborar a campanha definem as linhas iniciais – dizem que o paranaense Jorge Samek, diretor de Itaipu, será o coordenador geral da mesma -, o presidente queima pestanas para treinar as respostas às recorrentes perguntas sobre o envolvimento de assessores diretos em assuntos cabeludos como o valerioduto, lavagem de dinheiro e até na trama que desencadeou no assassinato de Celso Daniel, na época prefeito municipal de Santo André e coordenador da campanha de 2002, posto para o qual foi deslocado o prefeito de Ribeirão Preto, Antônio Palocci.

A julgar pela aprovação do relatório da CPI dos Bingos a alternativa é crucial, ante o pedido de indiciamento do ex-ministro Antônio Palocci e Paulo Okamotto, superintendente nacional do Sebrae e antigo responsável pelas finanças familiares de Lula, de quem saldou com dinheiro do bolso uma dívida com o PT. As irregularidades atribuídas a ambos foi o recebimento de propinas para facilitar negócios com prefeituras, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro, entre outras leviandades típicas dos que se imaginam acima das leis.

Lula será convocado a dar explicações sobre o pedido da CPI de aprofundamento das investigações do envolvimento do ex-ministro José Dirceu e do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, seus colaboradores mais íntimos, na ainda misteriosa questão de Santo André. Não será possível ao candidato à sucessão remar contra a maré ou seguir diminuindo a capacidade de discernimento dos eleitores, alegando nada ter ouvido, visto ou sabido.

No jargão futebolístico tão apreciado pelo presidente, a contumaz distância mantida em relação à conduta infeliz dos assessores equivale ao zagueiro conformado em levar a bola nas costas…