O Boeing 777 da Varig, que fazia a rota Rio-Paris, foi apreendido hoje no Aeroporto Charles de Gaulle, na capital francesa, por falta de pagamento de leasing. O avião pertence à empresa norte-americana International Leasing Finance Company (ILFC), que tem dois aviões desse modelo em operação na Varig e desde o início do ano ameaçava retomá-los judicialmente. Se o segundo Boeing 777 – atualmente o jato mais moderno da frota da Varig – deixar o País, é grande a possibilidade de que ocorra uma nova apreensão.

Até o início da noite de hoje (30), a Varig ainda tentava renegociar a liberação do jato, enquanto os passageiros que fariam o vôo de volta para o Brasil naquele avião foram encaminhados para um MD-11 da companhia. A Varig também deverá evitar utilizar seu outro Boeing 777 nos próximos vôos para a Europa, para não correr o risco de um novo arresto internacional.

Executivos da Varig se disseram surpresos com a retomada do avião, depois de dois meses de atraso nas parcelas do contrato de arrendamento. Segundo dados de mercado, o custo mensal do leasing de um Boeing 777 chega a cerca de US$ 850 mil. Ou seja, em dois meses a empresa acumularia uma nova dívida de US$ 3,4 milhões. Os aviões foram integrados à frota da Varig no último trimestre de 2001.

Até o fim do ano passado, a companhia aérea vinha conseguindo negociar as devoluções de aparelhos solicitadas pelas empresas de leasing. Um consultor contou que, há menos de duas semanas, a Varig fechou um acordo com a GE Capital Aviation Services (Gecas) para devolver mais 9 aviões até junho deste ano – 3 MD-11 e 6 Boeing 767.

Só no ano passado, a Varig devolveu 30 aviões a empresas de leasing e ficou com 106 jatos na frota, incluindo os da Rio Sul e da Nordeste. A Varig informou apenas que há planos para substituir aparelhos antigos -é o caso dos aviões da GE – por mais modernos. O presidente da Varig, Manuel Guedes, já havia comentado que os vôos de Boeing 777 são 7% mais rentáveis que os feitos com o MD-11. Hoje, Guedes esteve reunido com o Comando da Aeronáutica, em Brasília.

Gol

Com uma frota de mais de 600 aviões, avaliada em US$ 27 bilhões, a ILFC só perde para a Gecas no mercado de leasing aeronáutico. A empresa pertence ao grupo AIG, que estuda assumir uma participação de até 20% na Gol Transportes Aéreos. Entre executivos da Varig, especula-se que a retomada dos aviões seria uma maneira de facilitar as negociações com a outra companhia brasileira.

O escritório de advocacia Pinheiro Neto, que representa os interesses da ILFC no Brasil, informou que a decisão de retomar os aviões foi tomada fora do Brasil e não foi comunicada oficialmente. A ILFC também possui dois Boeing 737-700 na Rio Sul e cinco 737-500 na Nordeste.

As informações sobre a retomada do avião foram divulgadas pela Associação dos Pilotos da Varig (Apvar), que também teria entrado em contato com a ILFC e apurado que a Varig acumula dívidas antigas com a empresa de leasing. A entidade, que tem apresentado ao governo e aos credores um plano alternativo de reestruturação da companhia, distribuiu panfletos hoje no Aeroporto Santos Dumont para alertar o público sobre a situação da companhia.

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