Deverá render ainda por muitas e muitas luas a polêmica entre o governo e a iniciativa privada, em torno do dilema da energia elétrica em oferta suficiente para garantir o desenvolvimento de projetos produtivos, na devida proporção das expectativas de expansão do PIB preconizadas, com indisfarçável euforia, pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A questão formulada pelo setor privado, o industrial em primeiro lugar, é se o governo dará a franquia necessária para otimizar investimentos na construção das usinas hidrelétricas previstas, a fim de garantir a oferta de eletricidade para sustentar a atividade industrial.

O governo responde escudado na responsabilidade de fiador do processo de desenvolvimento, estancado há doze anos, fornecendo em resgate duma credibilidade também esfumada ao longo desse período, seu papel de mentor e maior interessado no progresso nacional.

No âmbito empresarial, com base em análises proficientes do ambiente de negócios e tendo em vista a estagnação dos últimos anos, para dar de barato, não existe a convicção de que, apesar das boas intenções do governo, as promessas se concretizem. Na verdade, o argumento insofismável é que os governantes são brilhantes no planejamento das metas, mas inteiramente despreparados na hora da execução. O balanço dos dois mandatos de FHC e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva confirma a sensata impressão de muita galinha e pouco ovo.

Para o governo é um autêntico desafio fazer o PIB crescer à taxa anual de 5%, índice que colocaria o Brasil na esteira dos países emergentes, onde o crescimento da economia tem batido em até 8%. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, já disse mais de uma vez que se a economia crescer na média de 4,8% por ano até 2010, haverá déficit de pelo menos 700 megawatts na oferta de energia elétrica.

O apagão que tanto apavora o governo Lula voltará a ocorrer até o final da década, e não será mera decorrência dos que torcem contra o governo – os fracassomaníacos – na concepção sociológica de Fernando Henrique Cardoso. Os grandes empresários estão dispostos a colaborar, mas admitem que a infra-estrutura será um gargalo no crescimento.