Bioética e segurança

Cinco milhões de brasileiros portadores de distrofia muscular passam a alimentar, a partir de agora, a renovada esperança de obter a cura de suas enfermidades. A Câmara dos Deputados aprovou por 366 votos a 59, com três abstenções, a realização de pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, desde que fertilizadas in vitro e congeladas há mais de três anos. A lei proíbe, no entanto, a produção de embriões para pesquisa por meio da clonagem terapêutica.

O reconhecido potencial das redes de pesquisa no Brasil, segundo testemunhos autorizados, reforça a idéia de que em alguns anos haverá a possibilidade concreta da cura de doenças como diabetes, Parkinson e Alzheimer.

Além disso, passa a haver também um caminho mais seguro para o combate e – quem sabe? – a eliminação dos temíveis acidentes vasculares cerebrais e infartos do miocárdio.

A medida está embutida na Lei da Biossegurança, aprovada em dezembro pelo Senado e agora pronta para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do mesmo diploma consta a autorização do plantio, em território nacional, de sementes geneticamente modificadas, os chamados produtos transgênicos, que tanta polêmica despertaram entre ambientalistas, defensores da agricultura orgânica e apologistas do agrobusiness, além de geneticistas e melhoristas de variedades agrícolas.

Ainda há um longo caminho a percorrer e a discussão com base em princípios de bioética, para não falar das reservas naturais do fundamento religioso, deve continuar ganhando espaço. Espera-se uma discussão que produza não só calor, mas também intensa luz. 

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