O tempo corre contra o governo Lula em termos da tramitação, no Senado, da proposta de manutenção até 2011 da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da matéria, apresentará o parecer pedindo a extinção do tributo na próxima sexta-feira, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Antes de chegar ao plenário da Casa para ser discutido e votado em dois turnos, como já aconteceu na Câmara dos Deputados, o assunto será debatido em reuniões seguintes da própria CCJ. Em tese, a medida poderá ser rejeitada nessa instância, embora a probabilidade de tropeço torne-se remota diante do número de votos favoráveis garantidos por integrantes da base governista.

Enquanto isso, o governo vai ampliando o diálogo com os principais governadores do PSDB, José Serra e Aécio Neves, tendo em vista tornar palatável a proposta original da CPMF em troca de algumas concessões oferecidas à bancada tucana no Senado, em troca da aprovação da CPMF.

Os governadores querem uma parcela maior dos recursos captados pela Cide, a contribuição destinada à manutenção de rodovias, e o corte de impostos sobre investimentos na área de saneamento ambiental. Além disso, a Receita Federal estuda o abatimento da CPMF do pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física, elevando a faixa de isenção para a renda mensal de R$ 1.642.

De bicada em bicada os tucanos desbastam as arestas e, nessa toada, acabarão concordando em dar os votos que faltam para adicionar quatro anos à expectativa de vida de um imposto execrado pela sociedade, que apenas serve para legitimar a vocação governista pelo inchaço da carga tributária.