Os investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 859 milhões no mês de fevereiro, de acordo com relatório de setor externo divulgado hoje (21) pelo Banco Central (BC). O resultado é "bastante significativo", segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Ele ressaltou, porém, que as expectativas para este mês são ainda melhores, em razão do quadro de estabilidade econômica e da redução do risco-país. Altamir acredita que os investimentos estrangeiros no setor produtivo ficarão em torno de US$ 1,2 bilhão neste mês, e anunciou que, em decorrência da "melhora generalizada" na economia, o BC reestimou de US$ 16 bilhões para US$ 18 bilhões a entrada de dinheiro externo no ano.

O economista disse que a expectativa das contas externas para março é de números elevados, a começar pela estimativa de superávit de US$ 1,8 bilhão em transações correntes, que envolvem comércio e transferências de serviços e renda. Será, portanto, mais do que o dobro dos US$ 725 milhões registrados em fevereiro.

Segundo Altamir, os números apontam para "melhoras expressivas" no mês em curso, apesar de os investimentos do Brasil também terem aumentado, gradativamente, lá fora, sobretudo por força de empresas exportadoras que investem em plataformas de venda de seus produtos, em busca de maior internacionalização. Afinal, "a melhor maneira de vender é estar onde o cliente comprador está", disse ele.

Para Altamir, a boa situação das contas externas e a estabilidade econômica são fatores de atração para o investimento estrangeiro, tanto que os investidores externos já haviam aplicado, até ontem (20), US$ 850 milhões no mês. As sondagens feitas junto ao mercado apontam para o aumento de intenções de investimentos produtivos, acrescentou.

Ele disse que essa expectativa também se reflete nos investimentos externos em títulos públicos do Tesouro Nacional, em especial depois que a Medida Provisória 281, criada no mês passado, liberou do Imposto de Renda as aplicações estrangeiras em títulos. O BC refez a estimativa desses investimentos no ano, de US$ 4 bilhões para US$ 10 bilhões.

O bom início de ano também para o saldo da balança comercial (exportações menos importações), com aumento de mais de 10% sobre o superávit do mesmo período no ano passado, fez com que BC também revisse a estimativa inicial, de um saldo de US$ 35,5 bilhões no ano. O banco agora trabalha com perspectiva de saldo de US$ 39 bilhões ? mais próximo da expectativa dos exportadores, de US$ 40 bilhões.