Brasília – O ex-secretário do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas, e colaborador da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quarta-feira (22) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Sanguessugas que sua participação na divulgação de informações sobre a compra de ambulâncias superfaturadas tinha como objetivo mostrar à sociedade que estes desvios não começaram no Governo Lula. As declarações seguiram a mesma linha dos depoimentos prestados pelo ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso e o ex-coordenador do Núcleo de Informações do comitê de campanha a reeleição de Lula Jorge Lorenzetti.

continua após a publicidade

Bargas afirmou ainda que teve participação limitada na operação de compra do dossiê contra políticos do PSDB. Segundo ele, a tarefa que lhe foi designada por Lorenzetti seria acompanhar a entrevista ao repórter da revista Isto É, concedida em 13 de setembro em Cuiabá (MT) por Darci Vedoin e Luis Antonio Vedoin, donos da empresa Planan.

"O Lorenzetti e o Expedito me deram as orientações. Não conheci os documentos nem as fitas. Pediram apenas que eu acompanhasse a entrevista", afirmou Bargas. Segundo ele, o acertado seria de que Hamilton Lacerda, ex-assessor do comitê de campanha do então candidato ao governo de São Paulo, senador Aloísio Mercadante, passaria o nome do repórter da Isto É que faria a entrevista.

Ele disse que a condição imposta aos Vedoin, tanto por Lorenzetti quanto pela revista, é de que as denúncias apenas seriam publicadas com a comprovação por meio de documentos. Oswaldo Bargas disse também que antes de ser publicada a reportagem o repórter lhe mostrou o texto. "Li a entrevista antes de publicá-la. O jornalista escreveu a reportagem à noite e os documentos só lhe foram entregues na manhã seguinte", afirmou Bargas aos deputados e senadores.

continua após a publicidade

Também na mesma linha dos depoentes que participaram da operação, o ex-secretário do Ministério do Trabalho disse que desconhece a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendidos num hotel de São Paulo, que supostamente seria pago aos Vedoin em troca das informações. "Eu não tinha a menor idéia do que estava acontecendo em São Paulo", declarou.

Oswaldo Bargas disse que até hoje "tem dificuldades de entender esta história de dossiê". E afirmou que na sua "cabeça quem armou esta arapuca foram os adversários".

continua após a publicidade

Ele admitiu que foi um equívoco de membros do comitê de campanha de Lula não terem promovido uma entrevista coletiva para que Darci e Luis Antonio Vedoin apresentassem suas versões sobre a compra das ambulâncias. "Podia ser uma coletiva porque era uma guerra também com a imprensa que, na minha avaliação, tomou partido", afirmou.