Real Madrid e Barcelona, os dois maiores e mais ricos clubes da Espanha, negaram de forma acintosa qualquer ligação com o médico Eufemiano Fuentes, acusado de envolvimento num escândalo de doping que atingiu o ciclismo em maio deste ano. As denúncias, feitas pelo jornal francês Le Monde, atingem mais dois tradicionais clubes espanhóis, Bétis e Valencia, que igualmente desmentiram o envolvimento.

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Na edição desta quinta-feira (07), o Le Monde diz que teve acesso a "documentos confidenciais" escritos de próprio punho pelo médico com "detalhes da preparação" das duas equipes. O jornal não publicou imagens desses documentos. Em maio, Fuentes foi acusado de encabeçar um esquema de fornecimento de substâncias proibidas para ciclistas que resultou no afastamento de dois atletas favoritos ao título da Volta da França, o italiano Ivan Basso e o alemão Jan Ullrich.

A direção do Real foi enfática ao desmentir qualquer envolvimento com Fuentes. "O Real Madrid se distinguiu em seus 104 anos de história por uma dedicação exemplar à exaltação dos valores humanos no esporte e à defesa do fair play, sendo o histórico do clube imaculado no desenvolvimento do trabalho de seus serviços médicos", disse, em comunicado, prometendo ainda tomar "ações legais" contra o diário francês, se achar necessário.

O atacante Ronaldo disse que os jogadores do clube estão à disposição para qualquer controle antidoping. "Não conhecemos esse senhor nem de nome, mas não temos nada a esconder e estamos disponíveis para exames da Uefa ou de quem quer que seja", disse o camisa 9.

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"O Barcelona nega categoricamente o uso dos serviços do doutor Fuentes na preparação para a temporada passada", escreveu o clube catalão. As diretorias do Bétis e do Valencia usaram o mesmo tom em seus desmentidos.

O médico afirmou que chegou a prestar serviços para diversos clubes das duas primeiras divisões espanholas, diretamente ou por meio de consultoria aos respectivos médicos, mas não quis confirmar se teria receitado substâncias proibidas a jogadores de futebol por medo de ameaças de morte. "Disseram-me que, se falasse sobre determinados assuntos, eu e minha família teríamos sérios problemas", afirmou ao Le Monde.

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Admitindo ter indicado medicamentos ilegais a atletas de outros esportes, Fuentes afirmou que sua única preocupação era com a saúde dos atletas. "Sempre ajo como médico, e não é o mais importante saber se a substância de que ele precisa é ou não proibida", disse.