Bandeira da sucessão

Com a aproximação do dia das eleições nacionais na vizinha República do Paraguai – dia 20 de abril – os candidatos presidenciais com as maiores probabilidades de vencer o pleito reservaram espaço prioritário na fase final da campanha para discorrer, cada um de acordo com sua postura ideológica, sobre o que depois de vários anos passaram a considerar pontos controvertidos do tratado binacional celebrado por Brasil e Paraguai, para a construção da usina hidrelétrica de Itaipu.

O total da energia produzida por Itaipu, segundo o tratado, é dividida em partes iguais entre os dois países, mas o Brasil é beneficiário de 95% do total, mesmo porque o consumo paraguaio não exige mais que 5% da imensa produção. O Brasil compra o excedente do país vizinho, pagando em dólares, embora os principais candidatos paraguaios achem que o negócio é ruim para o país.

O ex-bispo católico Fernando Lugo, primeiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, com insuspeita inclinação pela Teologia da Libertação, apoiado por movimentos populares de camponeses, indígenas, sindicatos e partidos esquerdistas, é o mais entusiasmado na defesa da revisão radical do tratado de Itaipu, sem dúvida, a principal bandeira de sua campanha pela presidência do Paraguai.

Os candidatos que aparecem logo abaixo de Lugo, a situacionista Blanca Ovelar, do Partido Colorado, e o discutido general Lino Oviedo, que também têm condições de ganhar o pleito, embora a situação do ex-bispo seja muito mais favorável, incorporaram a questão de Itaipu ao discurso de campanha, mesmo num tom moderado para evitar a retórica de confronto com o governo brasileiro.

Do lado brasileiro, segundo informações preliminares veiculadas por fontes do Itamaraty, o governo não tem o menor interesse em rever o contrato, fiando-se no fato de que o mesmo foi considerado, por ambos os países à época de sua assinatura, um documento perfeito do ponto de vista jurídico.

As dificuldades de entendimento, pressentidas pela diplomacia, caso o ex-bispo venha a ser o futuro presidente, advêm de sua anunciada intransigência de lutar pela elevação do preço pago ao Paraguai pela energia não consumida em território guarani. 

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