A banda larga está crescendo no mundo a uma velocidade média de 120% ao ano, superior ao ritmo de crescimento de 110% da telefonia móvel, disse hoje (21) o vice-presidente de Negócios da Indústria de Equipamentos de Telecomunicações da Ericsson Brasil, Jesper Rhode. As previsões da empresa para o Brasil são de que, em 2010, o número de habitações com banda larga deve mais que dobrar, saindo dos quase 5 milhões esperados para este ano e chegando a 11,630 milhões, o que representará 16% dos domicílios brasileiros. Mesmo onde não há computadores pessoais, a banda larga pode ser utilizada por meio de outras tecnologias, como a telefonia móvel

Para Rhode, a banda larga e os serviços de valor adicionado que ela permite, como a televisão por protocolo internet (IPTV), representam um desafio, mas também uma solução para as operadoras de telefonia. Esses serviços podem proporcionar receita para as operadoras em um ambiente em que a tendência é reduzir os recursos vindos do transporte de voz, principalmente na longa distância, devido à concorrência com os serviços de voz sobre IP (protocolo internet), os chamados VoIP.

Os serviços VoIP como os prestados pela Skype de graça não necessariamente vão matar as operadoras fixas, considera. "Se o telefone tradicional for oferecido com preço razoável, ele é melhor que voz sobre IP", afirmou.

Rhode considera os preços altos no mercado brasileiro também em relação aos provedores de banda larga e à telefonia móvel. Na banda larga, enquanto no Brasil os provedores cobram em torno de US$ 50 ao mês para capacidade de transmissão de 300 quilobits por segundo (kbps), na Índia a operadora BNSL cobra entre US$ 11 e US$ 6 para uma velocidade de 256 kbps.

"A lógica do mercado brasileiro é uma lógica que já se corrigiu em outros países", disse Rhode, citando a telefonia móvel, onde as operadoras continuam dando subsídio para a venda de aparelhos mas cobram tarifas altas sobre os minutos das ligações e serviços como os de torpedo (SMS), que são os geradores de receitas para essas empresas. "Em outros países, o tráfego acaba aumentando por causa das operadoras low cost (de baixo custo)", afirmou.