Banco do Brasil deve oferecer ao mercado 7,5% das suas ações

O Banco do Brasil (BB) comunicou ao mercado hoje (1) que pretende oferecer suas ações ao público, com o objetivo de aumentar a quantidade de papéis em negociação no mercado. O fato relevante informando essa decisão foi encaminhado à Bolsa de Valores e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A medida tem por objetivo aumentar a liquidez das ações da instituição, ao mesmo tempo em que eleva a participação de papéis do BB no índice Bovespa. No comunicado, o BB explica que ainda não existe decisão do governo com relação ao aumento da participação do capital estrangeiro no capital do banco.

Segundo o gerente de Relações com Investidores do BB, Marco Geovanne, o BB resolveu anunciar que estava negociando a oferta pública de ações com os principais detentores de papéis do banco – Tesouro Nacional, o fundo de pensão dos funcionários da instituição (Previ) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, depois que começou a especulação em cima do assunto. "Não podemos perder de vista a transparência que deve acompanhar todo o processo", argumentou. Ele explicou que, para a oferta pública ir adiante, será preciso que os principais acionistas concordem em vender parte dos papéis.

O Tesouro Nacional, acionista majoritário do BB, detém 72,1% das ações do banco. Parte dessas ações é de titularidade do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). A Previ detém 13,9% e o BNDES-Par, 5,8%, além do próprio BB, que possui 1,4% de suas ações em tesouraria, ou seja, sem serem negociadas. Se todos concordarem em vender uma parcela, a oferta pública, via leilão, poderá atingir 7,5% das ações que compõem o capital total do banco.

Esse porcentual praticamente dobrará a quantidade de ações hoje negociadas em bolsa, que somam 6,8% do capital do banco e estão nas mãos de investidores pessoas físicas e jurídicas, além dos estrangeiros. A oferta e mais a subscrição dos bônus B (papéis utilizados em 1996 para a capitalização do banco), que somam 2% das ações e que começa agora no dia 31 de março, elevarão para mais de 15% a quantidade de papéis do BB negociados em bolsa.

É um passo importante para o ingresso da instituição no Novo Mercado da Bovespa, que exige o porcentual de 25% das ações em negociação no mercado.

O gerente afirma que não existe ainda qualquer detalhamento da operação. "Primeiro todos têm de concordar", explicou. No governo, a decisão de vender as ações do BB não é tranqüila. O PT foi contra no governo passado e há integrantes do primeiro escalão que acham que esse não é o momento, apesar das ações da instituição estarem em alta. Eles temem que a venda das ações inicie uma polêmica desgastante para o governo em pleno ano eleitoral.

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