O diretor de administração do Banco Central (BC), Antonio Gustavo Matos do Vale, afirmou que não tem conhecimento de medidas que a autoridade monetária estaria definindo para que o governo possa propor à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ações para a redução dos spreads bancários (é a diferença entre o que as instituições financeiras pagam para captar recursos e as taxas cobradas nos empréstimos). Segundo ele, o assunto deve estar sendo tratado diretamente entre o presidente do BC, Henrique Meirelles, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Mantega deve se reunir esta semana com o presidente da Febraban, Fábio Barbosa, para tratar de medidas conjuntas que o governo e as instituições financeiras podem adotar no curto prazo a fim de reduzir os spreads. "Não há nenhuma medida definida. Porém, muitos temas podem ser discutidos, como os que envolvem os depósitos compulsórios", frisou Vale.

De acordo com o ministro da Fazenda, o governo está disposto a estimular os bancos a diminuírem os spreads pois esse é o único fator que distancia o Brasil de outras economias emergentes. Ele afirmou que, entre outras medidas, o governo pode reduzir os compulsórios dos depósitos à vista, que variam de 45% a 53%, enquanto que os bancos poderiam colaborar com a diminuição da margens de lucro.

O compulsório é um instrumento de Política Monetária operacionalizado pelo BC para regular a oferta da moeda e do crédito. O compulsório incide sobre o volume dos depósitos à vista, depósitos judiciais, poupança e sobre os adiantamentos de operações de câmbio.