Às vésperas da Câmara dos Deputados colocar em votação a proposta de reformulação do Código Florestal, a bancada ruralista relançou hoje a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), durante um almoço em Brasília, numa ofensiva para garantir a aprovação do projeto.

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O desafio dos ruralistas é conquistar o maior número possível de aliados antes da votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) sobre o novo Código Florestal, que deve ocorrer no início de abril. Os ruralistas tentam demonstrar tranquilidade, mas sabem que a vitória não pode ser tomada como certa. Ajustes no texto, nos bastidores, e também acertos entre membros do governo, estão em curso, com o objetivo de levar à votação um projeto com maior grau viável de consenso e, assim, evitar embates no plenário.

“Estou 70% confiante”, disse o deputado Homero Pereira (PR) sobre a probabilidade de aprovação do relatório de Aldo Rebelo. “O debate sobre o código amadureceu”, argumentou o parlamentar, que já foi presidente da Federação de Agricultura de Mato Grosso. O líder ruralista acredita que restarão ao debate final em plenário somente ajustes pontuais.

O deputado Luis Carlos Heinze (PP), tradicional defensor da agropecuária na Câmara, mostra-se um pouco mais otimista, mas também não considera que a vitória já esteja garantida. O gaúcho diz estar “80% confiante”. Segundo ele, atualmente estão sendo feitos contatos com prefeitos e vereadores, para mostrar o que as economias locais podem perder se o novo Código Florestal não for aprovado. Dessa forma, ele acredita que os municípios pressionarão os seus representantes na Câmara pela aprovação do texto.

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Heinze destaca, ainda, que conversas entre os ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA) têm avançado nos últimos dias, aparando arestas na construção do texto definitivo. O parlamentar considera, também, que a gestão da ministra Izabella Teixeira no Meio Ambiente tem sido favorável à construção de um consenso. Historicamente, o MMA foi um polo de críticas às mudanças no Código Florestal. Para Heinze, entretanto, não há ainda certeza se o tema chegará ao plenário sob consenso ou se o assunto será resolvido no debate, voto a voto.

A versão final do relatório de Rebelo foi apresentada em julho de 2010, mas até hoje gera polêmica. Os debates envolvem questões como a proposta de redução da Área de Proteção Permanente (APP), que é uma faixa da propriedade rural que precisa ter a vegetação preservada até a margem de rios e cursos d’água. Ao adotarem uma postura otimista quanto à aprovação do projeto, os ruralistas consideram também um apoio – embora não oficial – do governo. Isso porque o agronegócio ganhou status no cenário econômico, ao assegurar cada vez mais o saldo positivo na balança comercial. No ano passado, as exportações do agronegócio registraram o recorde de US$ 76,4 bilhões.

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Outra estratégia que será utilizada pelos ruralistas para a aprovação do relatório de Aldo Rebelo será a pressão direta na Câmara. “Vamos colocar 20 mil produtores na Esplanada dos Ministérios para mostrar que o Código Florestal não é assunto só de ruralista, mas de todo o Brasil”, disse hoje na reunião da FPA a senadora Kátia Abreu (DEM), que também é presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ela destaca que ajustes ainda são necessários ao relatório de Aldo Rebelo, principalmente em relação a proprietários com mais de quatro módulos rurais que desmataram no passado.

Além das negociações e da pressão de produtores em Brasília, é certo que será importante para o êxito na votação o fortalecimento da Frente Parlamentar da Agricultura. Em nova legislatura, está sendo necessário recompor os quadros do grupo que oficialmente se declara como “ruralista”. Até o ano passado, eram 268 parlamentares na FPA, entre deputados e senadores. Este ano são 245 filiados, e o aumento desse número será decisivo para definir o rumo do novo Código Florestal quando o assunto entrar em plenário.

Os responsáveis pela Frente tratam de demonstrar otimismo, dizendo que o número de novas adesões tem surpreendido, havendo boa receptividade entre os novos parlamentares. O almoço de relançamento da FPA, no entanto, contou com a presença de menos de 200 deputados e senadores.