Pueril, para não dizer ignóbil, foi o argumento utilizado pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, que renunciou ao mandato para não ser cassado. A fala ocorreu no almoço com a base eleitoral em Mogi das Cruzes (SP), no último domingo. Costa reiterou a suspeição de ter sido vítima de uma armação do PT, cujos dirigentes o fizeram ?entrar numa fria?.

A armação aludida remete à fase de atração de partidos para a coligação de Lula, na qual o PL entrou com o vice-presidente José Alencar, um dos mais ricos industriais de Minas Gerais, nessa condição, ex-presidente da Federação das Indústrias e senador pelo referido estado.

O PL entrou na consolidação da base e cumpriu o papel ao filiar inúmeros deputados federais eleitos por outros partidos, em maior número do PFL, inchando a bancada de apoio presidencial.

A contrapartida do acordo partidário e a qualificação tardia utilizada por Valdemar Costa Neto, a fria em que se meteu, resultou do aparecimento de seu nome como sacador privilegiado das contas do publicitário Marcos Valério no Banco Rural, das quais teria retirado R$ 10 milhões para despesas de campanha.

Achincalhado pelo depoimento de Roberto Jefferson e pela ex-mulher como beneficiário do valerioduto, o azar do Valdemar veio com a confirmação de todos os pormenores relativos ao mensalão. Renunciar não foi rima nem solução, pois a Justiça aguarda – um a um – os vendilhões.