Se a F250 do comerciante João Ruiz Júnior, o Juninho, 23 anos, parar ao lado de um trio elétrico, é capaz do som da caminhonete dele conseguir abafar o barulho do trio. De utilitário o veículo já não tem mais nada, pois na caçamba basculante, que vira um “paredão” quando é acionada, o comerciante conseguiu adaptar pelo menos uns 80 mil watts de potência de som.

Juninho contou que tinha uma caminhonete de pequeno porte. Mas como a aparelhagem já não cabia mais no carro, em 2004 comprou a F250. Mas com o tempo, o som não foi cabendo de novo, até que ele resolveu ocupar todo e qualquer espaço da caçamba com a aparelhagem. Antes, as caixas de som e demais acessórios eram soltas. Em todo lugar que ia, empilhava as caixas para criar o paredão. “Mas daí começou a dar muito trabalho. Quando chovia, tinha que correr e cobrir com lona. Na hora de ir embora ou de alguma situação de emergência (diga-se a polícia), tinha que sair desmontando tudo rápido pra conseguir sair. Aí resolvi montar a caçamba basculante. Mais prático”, disse Juninho.

O comerciante foi até a Furgo Truck e a HDB Hidráulicos, onde as equipes bolaram a caçamba basculante, acionada por controle remoto. Na caçamba e cabine, uma equipe da Tech Sound projetou todo o sistema de som. São 20 subwoofers de 12 polegadas da Hard Power, de 2.550 RMS cada, oito cornetas Selenium 250X, dois cornetões, dois módulos Taramps de 40 mil watts cada, um módulo Sony Xplod (só para as cornetas), um crossover e um equalizador. Para aguentar toda essa energia, há 27 baterias espalhadas pelo veículo, todas ligadas em série, o que já garantiu sete dias de som, quase ininterruptos, durante umas férias na praia. Mas se isto tivesse ocorrido antes de dezembro do ano passado, é capaz das baterias terem aguentado pelo menos mais uns dois dias, já que no final do ano o comerciante trocou os antigos subwoofers de 1.880 watts pelos atuais de 2.550.

O carro, projetado para suportar um peso máximo de 1.080 quilos, carrega um total de 1.120 quilos. Para transportar tanto peso, a F250 ganhou uma turbina do caminhão Ford Cargo 815 e uma bomba de combustível auxiliar (diesel). Resultado? O veículo faz só cinco quilômetros por litro.

Incômodo

Juninho já levou várias multas por perturbação de sossego. A mãe dele é quem “pagou o pato” e já até perdeu a carteira de motorista, de tantos pontos de infração, já que o carro está registrado no nome dela. Em Camboriú, o comerciante teve o carro apreendido porque estava atrapalhando um show do cantor Michel Teló, no último verão. Para ter a caminhonete de volta, teve que pagar 10 cestas básicas. “Na praia, todo mundo para e fica dançando em volta. Nas Arracandas, o som atormenta todo mundo. Lá em Barretos então, que eu vou sempre, todo mundo já conhece “aquela caminhonete de Curitiba’”, diverte-se o jovem. Pena que a namorada de Juninho, que mora em Paranavaí, não gosta muito da barulheira.

O comerciante faz parte de uma equipe de competição de som chamada Treme Terra, que reúne sete caminhonetes também super equipadas, mas nenhuma como a dele. Juninho conta que aprendeu a gostar de som com o irmão mais velho, que também tem uma F250 cheia de equipamentos e faz parte do Treme Terra. Juninho e a família possuem dois supermercados, um no Santa Quitéria e outro no Campo Comprido, de onde vem a “renda” para o hobby dos irmãos. “Sorte que a minha mãe ainda não quebrou o meu sigilo bancário”, brincou ele, referindo-se ao fato da mãe não saber ao certo quanto ele gastou com a caminhonete até hoje.

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