A Nissan é, atualmente, a montadora que mais está preocupada em pressionar o governo brasileiro a conceder incentivos para que o carro elétrico se torne uma realidade no país. Pelo menos, é o que se percebe com as ações promovidas recentemente pela marca. Os japoneses fecharam parceria com as prefeituras do Rio de Janeiro e de São Paulo e incorporaram o Leaf na frota de táxi. Durante as últimas quatro semanas um protótipo do e-NV200, a versão elétrica da van comercial leve vendida em mais de 200 países, rodou pelas ruas do Rio em uma parceria com a FedEx Express, a maior empresa de transporte expresso do mundo.
A intenção da Nissan não é vender o Leaf e o e-NV200 no Brasil neste momento, mas dar visibilidade aos modelos e à marca enquanto espera a viabilização de um mercado nacional também plugado na tomada. No ano passado, a Anfavea (associação que reúne as principais montadoras) entregou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior um projeto que engloba elétricos e híbridos. Nele, estão previstos duas fases visando à promoção de novas tecnologias de propulsão para automóveis: primeiro, a importação seria incentivada com a mesma vigência do programa Inovar-Auto, com início imediato e valendo até 2017. Haveria uma cota de importação de veículos por empresa, com aumento progressivo, adicional à importação já aprovada pelo novo regime automotivo. A segunda fase estimularia a produção local com desenvolvimento de engenharia e fornecedores.
Luiz Moan, presidente da Anfavea, admitiu que a política para elétricos deverá sair ainda neste primeiro semestre. “Um dos primeiros passos para a nacionalização será a substituição dos motores híbridos a gasolina pelos flex, que podem rodar com etanol, principal matriz brasileira”, disse o dirigente ao site da associação dos concessionários Nissan.
A montadora japonesa assinou um protocolo de intenções com o governo carioca para obter benefícios no uso do carro elétrico no estado, “mas nada relacionado a uma futura produção”, despista Anderson Suzuki, gerente de Novos Negócios da montadora. Caso o Leaf venha a ser vendido no Brasil, há possibilidade de ele ser produzido na nova fábrica da marca, que está sendo erguida em Resende com capacidade produtiva para 200 mil unidades/ano. De lá, sairão o novo March e Versa, além de um futuro SUV compacto a outra planta japonesa no país fica em São José dos Pinhais, de onde saem a família Livina e a picape Frontier.
Segundo Suzuki, a vinda de um veículo elétrico nas regras atuais implicaria em, no mínimo, 25% de IPI tributado sobre o veículo movido a eletricidade. “Pagaríamos a mesma taxa de um modelo com motor V8, altamente poluidor”, compara o Suzuki, referindo-se ao fato de o carro movido apenas a bateria ter emissão zero de gases nocivos ao meio ambiente.
* Jornalista viajou a convite da Nissan.