IRace dá a oportunidade de pilotar um F-1

Pilotei um F-1. Não, é melhor dizer guiei um F-1. Mesmo assim, é muito difícil, quase impossível descrever a sensação de estar no cockpit de uma fera impulsionada por um tremendo V10 de 700 cavalos e com um barulho ensurdecedor. Tendo pela frente nada menos do que o circuito de Paul Ricard, em Le Castellet, no sul da França, onde Nelson Piquet, Nigel Mansell e Alain Prost brilharam na década de 1980. Este desafio de dirigir um F-1 faz parte do iRace, um programa rigoroso de pilotagem que surgiu com a Renault e hoje é comandado pela Lotus. A participação é exclusiva a convidados dos patrocinadores da escuderia e custa 6,5 mil euros (cerca de R$ 19 mil). O iRace propicia para o convidado um autêntico dia de piloto com treinamentos, simulações, jogos, exercícios físicos, fisioterapia e baterias na pista com um Fórmula Renault até finalmente chegar ao F-1.

A emoção de participar dessa experiência começou para mim, cerca de 50 dias antes da data prevista, quando recebi o convite e preenchi os questionários com informações médicas e medidas. Formado por dez jornalistas brasileiros, além do diretor de comunicação da Renault do Brasil, Carlos Henrique Ferreira, o grupo, ao se apresentar no circuito Paul Ricard, foi recepcionado pelo campeão mundial da Fórmula 1 em 1972, Emerson Fittipaldi. No dia anterior, naquela mesma pista, ele havia pilotado um Lotus 2010 da escuderia para compará-la ao antigo Lotus 72D que lhe deu o título.

Já devidamente trajado como piloto, com o macacão anti-inflamável, participo do primeiro briefing com o instrutor Scott Mansell (ex-corredor de Fórmula Indy). Ele enfatiza que o maior desafio do dia será realmente tentar pilotar um F-1, mas, para tanto, haverá apenas uma única chance. “Quem não conseguir arrancar ou rodar na pista está fora, adeus”, disse. Estas palavras serviram para aumentar ainda mais a adrenalina do grupo, que, a bordo de uma van, foi conhecer as curvas e retas dos 3.853 metros do circuito. As instruções seguintes, como postura, comandos no volante, posicionamento dos pedais e procedimentos para a partida, foram dadas usando o simulador de um cockpit.

Como o F-1 não tem motor de arranque, um gerador auxiliar é usado para acionar o propulsor, e recebo a orientação de que devo partir com a segunda marcha engatada, caso contrário a brutal força certamente faria o carro morrer e adeus ao desafio. Minha ansiedade aumentou ainda mais quando, no intervalo dos treinamentos, observei o comportamento de outros convidados que já estavam com o F-1 na pista. Os motores apagavam antes mesmo da largada e os que conseguiam partir rodavam logo na primeira curva e retornavam para os boxes em uma van. O ambiente não era nada animador.

Na pista

Depois de enfrentar várias atividades dentro da programação do iRace, a primeira experiência na pista é com um monoposto da Fórmula Renault. Com motor 2.0 16V aspirado de 185 cv a 8 mil rpm, com câmbio acionado por aletas no volante, o carro é um foguetinho. Vai aos 100 kmh em 3,6 segundos e atinge os 200 km/h nas retas. Já havia completado as duas primeiras voltas da bateria e estava melhor ambientado no carro quando começou a cair uma garoa fina e a bateria foi suspensa por segurança. Com pneus próprios para a chuva, a bateria teve continuidade e no encerramento fomos para a sala de telemetria, onde foram dadas as instruções finais para o grande momento com o F-1.

O carro

Os carros utilizados no iRace que estão pintados com as cores atuais da Lotus E21, na realidade, são os B201 da Benetton de 2001(virou Renault em 2002) com o bico dos Renault R25 de 2005. Por segurança, o motor 3.0 V10 Renault fora amansado. Ele fornece 550 cv graças ao corte de giros contido em 12.000 rpm (antes era 15.000 rpm). O ajuste aerodinâmico do carro é o mesmo usado em Mônaco, ou seja, bastante asa e downforce para ajudar a deixá-lo grudado no asfalto. São 550 cv para levar 655 quilos soma dos pesos do Benetton e do piloto, o que dá uma fantástica relação peso-potência de 1,2 kg/cv. Com ele, em apenas seis segundos se alcança os 200 km/h.

* O jornalista viajou a convite da Renault.


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