O setor automotivo atravessa um período de profundas mudanças. Novas tecnologias, eletrificação, conectividade, chegada de novas marcas e alterações no comportamento do consumidor estão redesenhando a indústria e a relação das pessoas com os veículos. Ao mesmo tempo, a forma de produzir e consumir informação também mudou, com jornais presentes em sites, redes sociais, vídeos e diferentes plataformas.

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É nesse cenário que a Gazeta do Povo e a Tribuna do Paraná ampliam sua presença no segmento automotivo. Em 9 de setembro, os dois veículos lançam as plataformas Gazeta Carro e Tribuna Carro, com a participação do jornalista Antônio Carlos, profissional com décadas de experiência e reconhecido nacionalmente pela atuação no jornalismo automotivo.

A iniciativa dá nova dimensão a uma cobertura que nunca deixou de fazer parte da atuação dos dois jornais, mas que teve, especialmente na Gazeta do Povo, uma presença de destaque no passado, com o tradicional Caderno de Automóveis.

Para Ana Amélia Cunha Pereira Filizola, diretora de jornais do Grupo Paranaense de Comunicação (GRPCOM), o novo projeto recupera essa experiência em um ambiente completamente diferente daquele em que o antigo caderno circulava.

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“Quando a gente resgata a história desse jornal, que há mais de um século leva informações de qualidade para as pessoas, fica claro que no impresso tínhamos um caderno de automóveis muito forte. E agora, no mundo digital, a gente relança esse produto com mais força para todo o Brasil”, observa.

A mudança de plataforma amplia também o alcance dos conteúdos. “A Gazeta conseguiu achar um espaço maravilhoso que fala com o Brasil inteiro, em todas as regiões”, diz Ana Amélia.

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Segundo ela, o automotivo é o primeiro de uma série de movimentos para ampliar a oferta de conteúdos voltados ao cotidiano dos leitores. “A gente está começando agora com o caderno de automóveis. Ele é o primeiro de muitos outros que a gente imagina transformar e trazer para o nosso leitor.”

Informação para um consumidor mais exigente

A evolução dos veículos tornou mais complexa também a decisão de compra. Além de preço, desempenho e consumo, o consumidor precisa lidar com diferentes sistemas de assistência à condução, tecnologias de propulsão, conectividade e níveis de equipamentos.

Nesse ambiente, Ana Amélia destaca o papel do jornalismo como serviço. “A gente consegue linkar a marca da Gazeta, de credibilidade, do jornalismo sério, com profundidade, para trazer dados e informações que ajudem o cidadão na ponta a tomar suas decisões”, afirma.

É justamente para esse público que Antônio Carlos pretende direcionar o trabalho. Com experiência acumulada ao longo de décadas acompanhando a indústria, ele considera que o atual momento está entre os mais significativos já vividos pelo setor.

“Eu tenho uma vasta experiência na cobertura do setor automotivo. Acompanho a evolução deste segmento há várias décadas e senti toda a transformação por que passou e está passando neste momento, talvez a mais significativa, com a chegada de novas tecnologias automotivas, como os carros chineses. E vendo a luta da indústria nacional para acompanhar tudo isto”, diz.

Para o jornalista, o consumidor está no centro dessa mudança. “Quem ganha é o consumidor e é para ele que iremos levar todas as informações para ajudá-lo a ter mais conhecimento e realizar bons negócios.”

A percepção de que o jornalismo especializado pode ajudar o consumidor é compartilhada por Ciro Possobom, CEO e presidente da Volkswagen do Brasil. “É preciso passar informação importante, falar a verdade, ajudar realmente o leitor a fazer uma boa compra”, afirma.

Para Possobom, a imprensa tem papel relevante ao oferecer análise e opinião sobre os produtos e os movimentos da indústria. “A gente quer realmente cada vez mais falar sobre isso, falar sobre carros, dar a opinião correta sobre o tema.”

Um mercado em transformação

As mudanças não acontecem apenas na relação do consumidor com os veículos. A própria indústria passa por uma transformação que envolve tecnologias de propulsão, conectividade, segurança e novas formas de interação com os usuários.

Possobom resume o momento como uma revolução. “O automóvel está passando por uma revolução muito grande. Cada vez vai ser mais eletrificado, cada vez vai ser mais autônomo, vai ter realmente uma conectividade maior e tem que ser mais sustentável também.”

Segundo ele, as montadoras estão desenvolvendo novas plataformas, motores e veículos a bateria para acompanhar essa mudança.

Airton Cousseau, presidente que está à frente da Hyundai Motor para América Central, América do Sul e Caribe, usa a seguinte expressão para definir o cenário brasileiro: “A entrada de novas tecnologias aqui no Brasil provocou uma disrupção no mercado”.

Cousseau afirma que a empresa acompanha esse movimento com produtos elétricos e híbridos e prepara novos lançamentos para o país.

A mudança também é sentida por quem está na ponta da venda. Para Toni Bordin, vice-presidente do Grupo Barigui, diferentes tecnologias deverão conviver no mercado.

“Eu acho que vai ter mercado para todo mundo: combustão, híbrido e elétrico. A tendência do mercado a gente não sabe qual vai ser, então temos que estar em todos.”

Diante da velocidade das novidades, Bordin afirma: “É muita novidade ao mesmo tempo. Nem a gente que vende, e talvez nem o consumidor, saiba qual vai ser o futuro.”

Uma nova forma de acompanhar o setor

A transformação da indústria acontece paralelamente à mudança na comunicação. O leitor que antes encontrava a maior parte das informações em páginas e cadernos impressos hoje transita entre sites, redes sociais, vídeos e diferentes formatos.

Guilherme Vieira, diretor de negócios da Gazeta do Povo e da Tribuna do Paraná, explica que os últimos anos foram marcados pelo esforço de ampliar o alcance nacional da Gazeta e consolidar sua presença digital.

“Nos últimos anos a gente investiu todo o nosso tempo, dinheiro e energia em expandir a Gazeta para todo o Brasil”, afirma.

Com essa expansão, segundo ele, surgiu a possibilidade de retomar verticais editoriais que haviam sido relevantes na época do jornal impresso. “A gente começou a se questionar se não fazia sentido retornar às verticais que já foram fortíssimas na época do jornal impresso, e uma delas é o mercado automotivo.”

O novo projeto nasce, portanto, já pensado para diferentes plataformas. “Onde a Gazeta estiver, o automotivo vai estar também”, afirma Vieira, ao citar site, Instagram, YouTube, TikTok, Facebook e X.

Para Airton Cousseau, essa característica é justamente uma das diferenças em relação ao passado. “Hoje existe uma proliferação de mídias muito grande no mercado. Todo mundo está consumindo muita coisa, principalmente pelo celular.”

Ao mesmo tempo, ele considera que há espaço para veículos capazes de combinar alcance digital e credibilidade. “Hoje, com o advento da internet e das redes sociais, a Gazeta do Povo está em todo o Brasil. Não só no Brasil, pode estar no exterior também.”

A experiência como diferencial

Nesse novo ambiente, a experiência especializada é apontada como um dos diferenciais do projeto.

Para Marco Greiffo, Head de Comunicação do Grupo Volvo América Latina, o jornalista Antônio Carlos é uma referência no segmento. “O Antônio Carlos é uma referência no jornalismo automotivo brasileiro, do Paraná e de todo o país”, afirma.

Na avaliação de Greiffo, a presença do jornalista dará ainda mais profundidade a uma cobertura que os veículos já realizam. “O retorno dele para a Gazeta vai trazer ainda mais vigor a essa cobertura que o jornal já faz do setor automotivo.”

Cousseau também destaca a escolha. Para ele, contar com profissionais que conhecem profundamente o mercado contribui para a credibilidade do conteúdo junto a consumidores, anunciantes e montadoras.

Ana Amélia vê justamente nessa combinação entre experiência jornalística e novas plataformas uma das características do projeto. Segundo ela, Antônio Carlos “domina completamente o meio digital, as redes sociais, o YouTube, e também o site, o impresso”.

O próprio jornalista define a proposta a partir dessa experiência acumulada. “A Gazeta do Povo que sempre foi muito forte na cobertura automotiva, está voltando agora com a Gazeta Carro e Tribuna Carro, mas em um formato que já nasce digital.”

A intenção, segundo Antônio Carlos, é estar presente em diferentes formatos. “Nós estaremos em todas as plataformas com nossas reportagens, opiniões, pesquisas, test-drives. Tudo o que este mundo do automóvel pode proporcionar.”

Na visão dele, a abrangência será diferente em cada veículo: enquanto a Gazeta do Povo terá foco nacional, a Tribuna do Paraná deverá dar atenção especial ao mercado regional. Antônio Carlos destaca que o Paraná possui hoje o segundo maior polo automotivo do Brasil.

A memória de quem acompanhou essa história

A relação entre os jornais e o setor também aparece na memória de quem acompanhou a antiga cobertura.

Toni Bordin lembra que o Grupo Barigui foi o último anunciante do antigo Caderno de Automóveis da Gazeta do Povo. “A Barigui foi a última anunciante do caderno de automóveis da antiga Gazeta do Povo impressa. Lutamos muito para estar na capa do jornal e fomos até a última edição.”

Para ele, a nova iniciativa cria uma oportunidade para que o setor volte a contar com um espaço especializado dentro dos veículos. “Nós, que vendemos carros e trabalhamos com automóveis, precisamos de um novo meio de comunicação”, afirma.

Bordin também observa que o consumidor chega hoje às concessionárias mais preparado, depois de pesquisar sobre os modelos e suas características. Nesse cenário, conteúdos especializados podem funcionar como mais uma ferramenta de consulta.

O consumidor no centro

A relação entre informação e decisão de compra também aparece na experiência de Giovani Garcia Girotto, COO da Conta Cheia, empresa que oferece empréstimos a empregados com desconto em folha.

Girotto lembra que acompanhava a cobertura automotiva da Gazeta ainda adolescente. “Eu lembro, na casa do meu avô, de ler a página de carros quando eu tinha lá 12, 13, 15 anos.”

Apaixonado por automóveis e com experiência também nas pistas, ele afirma que sentiu falta de um espaço especializado quando a antiga estrutura deixou de existir. “Quando isso acabou, a gente ficou carente de algum lugar para a gente procurar as informações.”

Para Girotto, um dos papéis do novo projeto será levar ao público informações que muitas vezes circulam primeiro em eventos do próprio setor.

“Não é todo mundo que tem a oportunidade de estar em eventos como esse e conseguir entender o que está acontecendo no mercado”, afirma.

Das pistas para as ruas

A cobertura também terá espaço para o automobilismo. Zezinho Muggiati, piloto de Stock Car, participou do lançamento e vê no projeto uma oportunidade de aproximar marcas, consumidores e o universo das competições.

“A gente vê o quão em alta está o automobilismo e o mundo automotivo, então poder trazer de volta à Gazeta do Povo um conteúdo mais específico para quem quer entender da relação das marcas com o consumidor, eu acho que é importantíssimo.”

Muggiati também chama atenção para a relação entre a competição e o desenvolvimento dos veículos de rua. “A gente consegue tirar informação da pista, colocar nos carros de rua e, lógico, ter a 100% de segurança para o consumidor final.”

Um novo capítulo

A apresentação de Gazeta Carro e Tribuna Carro reuniu em Curitiba dirigentes da indústria automotiva, representantes do varejo, profissionais de comunicação e personalidades ligadas ao setor.

Para Antônio Carlos, o desafio será acompanhar uma indústria que muda rapidamente e transformar essa complexidade em informação útil para o público.

O mercado, por sua vez, ainda não tem todas as respostas sobre o que virá pela frente. Como resume Toni Bordin, “nem a gente que vende, e talvez nem o consumidor, saiba qual vai ser o futuro”.

É justamente nesse cenário de mudanças que o projeto Gazeta Carro e Tribuna Carro abre um novo espaço para levar às pessoas informação de qualidade sobre o setor automotivo.