A GM do Brasil iniciou a comercialização do Astra Flexpower (bicombustível) na hora certa, justificada nestes dias pela oscilação do preço do petróleo no mercado internacional. De fato, a tecnologia “flex” chegou para ficar, principalmente pela opção que oferece ao consumidor de abastecer seu carro com o combustível mais barato: álcool ou gasolina.

Como esperado, a linha Astra 2005 sofreu poucas mudanças estéticas e recebeu novas nomenclaturas para suas versões. Agora são quatro: Confort (a mais barata), Elegance (a intermediária), Elite (topo de linha), e a GSI (esportiva), que mantém a motorização 2.0 16V a gasolina. Além dessa versão esportiva, a montadora também manteve o sedan 1.8 a álcool, para atender o segmento de taxistas e frotistas.

As novidades estéticas do Astra 2005 ficam por conta da grade dianteira grafite, da ponteira do escapamento polida e ovalada, dos adesivos decorativos na coluna central e das novas rodas de 16 polegadas. Internamente, o carro recebeu alterações no painel de instrumentos – com moldura preta, fundo cinza, grafismo branco e ponteiros laranja para a versão Confort e moldura preta com fundo branco, grafismo e ponteiros pretos com anéis cromados para as versões Elegance e Elite -, bancos dianteiros mais largos e com ajuste de apoio lombar, luz de alerta para as trocas de marchas e console central do painel de madeira (Elite), e apliques imitação de madeira no console central e na manopla do câmbio.

Com quase cinco anos no mercado, com um total de 232.114 mil unidades comercializadas, a GMB tem planos ambiciosos para o Astra. Com a nova versão bicombustível a montadora projeta crescimento de cerca de 20% para este ano frente ao resultado assinalado no ano passado.

Em números, a meta é vender 3.600 unidades/mês ante 3.000/mês com o modelo anterior. Deste total, 50% do modelo “hatch” e a outra metade, de sedans.

A versão Confort 2 portas tem como rivais Golf, Stilo e Focus que só estão disponíveis com 4 portas. A versão Hatch 4 portas “briga” com Golf, Stilo e Focus, além do 307, Mégane e Xsara, estes em menor escala. A versão Sedã concorre com os japoneses Honda Civic e Toyota Corolla, este um sucesso de vendas atualmente. O Sedã 1.8 álcool disputa o mercado com o veterano Santana, favoritos dos taxistas.

E o GSi “briga” com o Stilo e Golf, nas versões Abarth e GTI, respectivamente. São carros potentes, porém com custo alto e vendas pequenas, se comparadas ao Astra. De acordo com a GM, 30% das vendas deverão ser do modelo Confort, 60% do Elegance, 5% do Elite e 5% GSI. Deste total 90% com transmissão manual e 10% automática.

OLHO CLÍNICO

O que mais se destaca no Astra 2005 é mesmo o sistema Flexpower, desenvolvido pela Bosch, a empresa que mais investiu na tecnologia. O mais notável foi o ganho de potência, de exatos 10%. O modelo mostrou mais fôlego com o motor 2.0 bicombustível.

Isso pode ser atribuído a maior taxa de compressão, que passou de 9,8:1 para 11,3:1, melhorando o desempenho e o consumo de combustível. De acordo com dados da montadora, com gasolina no tanque o carro gera 121 cavalos de potência e com álcool 127,6 cv. O torque máximo é de 18,3 kgfm a 2.600 rpm com gasolina e de 19,6 kgfm a 2.400 rpm com álcool.

Avaliado na pista de testes da GMB, em Indaiatuba (SP), o carro mostrou mais fôlego com motor bicombustível, principalmente quando há apenas álcool no tanque. As qualidades do modelo puderam ser conferidas graças aos diferentes tipos de pisos e situações que a pista da montadora oferece.

Tanto em trechos esburacados, quanto nas curvas as versões “hatch” e “sedan”, com transmissão manual e automática, fizeram bonito. Na parte denominada circular, onde é possível pisar fundo no acelerador, o Astra respondeu com agilidade, atingindo os 190 km/h em poucos segundos. Embora o modelo equipado com a nova transmissão automática de quatro marchas, obviamente, demore um pouco mais para desenvolver.

Segundo dados da montadora, com álcool no tanque o carro chega à velocidade máxima de 203 km/h e faz de 0 a 100 km/h em 9,1segundos. E com gasolina, chega aos 198 km/h e atinge os 100km/h em 9,8 segundos. Em quinta marcha, aos 100 km/h, o modelo mantém os 2.500 rpm.

A suspensão do tipo McPherson mostrou-se eficiente. Nos diversos tipos de piso o conforto não foi comprometido. No trecho de curvas bem acentuadas o carro também manteve regularidade e estabilidade sem dar sustos. No quesito segurança o Astra também merece destaque: os freios com sistema (ABS) de 5.ª geração que funcionam em harmonia com as novas rodas de 16 polegadas, que agregam maior aderência com o piso.

Outro ponto positivo é o consumo de combustível, que foi reduzido se comparado à versão anterior. Segundo a GMB, agora o carro, equipado com câmbio manual e apenas com álcool, faz 7,2 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada e, com gasolina 10 km/l em perímetro urbano e 15,7 km/l em rodovias. Com a transmissão automática o consumo na cidade, rodando com álcool no tanque, é de 7,2 km/l e 10,7 km/l em estradas. Com gasolina, o carro faz 10,1 km/l em trechos urbanos e 14,9 km/l nas rodovias.

A versão de maior velocidade final do Astra é a equipada com transmissão automática: 203 km/h, mais rápida, acredite, que o Astra GSi, com seus 136 cv de potência. Segundo a montadora, “hatch” e “sedan” têm o mesmo desempenho com ambas as transmissões.