Quando o pintor automotivo Joelson Luiz Alves, 32 anos, ganhou uma Chevy ano 1986 de seu pai, toda estragada, a primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi reformá-la. Mas como já namorava a assistente administrativa Tathiely Kaliny Grande, 25, há pouco mais de dois anos, deu a ela duas opções: se ela preferia um carro, para poderem sair, ou se ela preferia uma casa, para se casarem. No auge da adolescência, já perto da independência da vida adulta, Tathiely escolheu o carro porque queria curtir a vida com o namorado.

O que ela não imaginava é que a reforma da Chevy demorasse tanto. Foram três anos e sete meses amargando idas e vindas de ônibus, enquanto o carro ficava parado na oficina. E o pior, eles nem saíam nos finais de semana, porque Joelson ficava trancafiado reformando o carro, e ainda pedindo que Tathiely fotografasse cada passo. A galeria de fotos de reforma do carro está no Facebook de Joelson. Quando o carro ficou pronto, o pintor o deixou tinindo, para ser inaugurado no primeiro dia do ano, em 2007. “Demorou, porque ele gosta de fazer as coisas com capricho. Mas valeu a pena”, disse a namorada orgulhosa.

Produção

Joelson começou arrumando tudo que estava estragado no carro. Desmontou inteiro e fez as soldas, consertando todos os amassados e ferrugens. Também tirou fora as maçanetas externas, alisou as portas e adaptou um sistema para abri-las pelo controle remoto, ou pelas maçanetas internas. Depois montou tudo de volta e alinhou portas, capô, tampa do porta-malas, entre outras peças. Quando tudo estava no devido lugar, teve início o projeto de personalização.

O primeiro deles foi o scoop no capô, que Joelson esculpiu em placas de isopor, até chegar ao modelo desejado. Trabalhou no isopor até criar um molde em gesso, onde fez o scoop definitivo em fibra. Com o mesmo processo, ele criou também os pára-choques. A tampa da caçamba teve uma produção parecida. No entanto, ao invés de usar isopor como molde, ele usou uma chapa de MDF, até criar o material definitivo em fibra.

Com tudo feito e encaixado ao carro, chegou o momento da pintura. Especialista nisso, Joelson usou um processo chamado tricolt, em que três tintas diferentes são aplicadas. Neste caso, ele usou a prata como fundo, o verniz vermelho e, por último, o verniz prata para acabamento. O pintor explicou que precisa ter muito conhecimento para se utilizar esta técnica, para acertar a cor do carro de maneira uniforme.

Depois de pintado, o carro ganhou uma pintura especial no capô, feita pelo próprio Joelson. Ele disse que a ideia inicial era pintar duas anjas “sexys”. Mas as críticas da namorada e da família foram tantas que ele acabou desenhando um elfo no capô e em algumas peças do motor.

Criatividade

Olhando o aerofólio, ninguém suspeita com o que ele foi feito: forro de PVC, que foi alisado com fibra, ganhou um formato curvado e foi finalizado com uma tinta camaleão, que pode mudar para até oito cores, dependendo da iluminação. Nos acabamentos do aerofólio o pintor utilizou chapas de alumínio, iguais às usadas em chão de ônibus, presas com parafusos de aço inox polidos.

Com esta mesma chapa, Joelson forrou toda a caçamba. Mas ele teve o cuidado de, primeiro, recortar e moldar todas as partes da chapa que seriam encaixadas ali. As tirou para poder pintar o carro e, por último, as recolocou de volta na caçamba. Ele teve este cuidado para não sujar o alumínio de tinta, nem de riscar a pintura já feita tentando moldar e cortar as chapas. A tampa de cima da caçamba não chega a abrir mais que uns 30º. Mas Joelson diz que é proposital. “É pra evitar do povo ficar pedindo pra transportar a geladeira, o sofá, a mudança”, disparou o dono da Chevy.

Para finalizar a estética externa, o carro ganhou uma saia, já comprada pronta, e rodas TSW de 15 polegadas (a original era 13 polegadas).

Interior
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Por dentro, a cabine foi toda revestida com um forro plástico, que imita couro vermelho, além de ganhar os tapetes de chão de ônibus. O painel é o original da Chevy, mas recebeu uma pintura em branco. Os espelhos de porta e bancos ganharam couro da mesma tonalidade. Os bancos, aliás, são os originais. Apenas receberam adaptações para ficarem ao estilo concha. Para fechar o visual interno, pedaleiras, volante e manoplas de câmbio e freio esportivas.

Entre os bancos, um suporte de fibra abriga dois auto-falantes, que fecham o conjunto de áudio junto a um aparelho de CD, um subwoofer de 10 polegadas e um módulo DSW de 1500 Watts. “Não me interessa som alto. Quero apenas qualidade, pra curtir dentro da cabine”, analisou. O motor não foi alterado. Continua sendo o original da Chevy, 1.6 a álcool, com escapamento esportivo na saída, para dar um barulho mais “invocado”.

Depois de 11 anos juntos, Tathiely agora sonha com o casamento. “Quando ele diz que vai fazer uma coisa, a gente sabe que vai demorar, mas que vai ser bem feito”, disse a namorada, que depois de esperar pacientemente quase quatro anos pra Chevy ficar pronta, fica apreensiva em pensar no tempo que Joelson vai demorar pra terminar a construção da casa onde vão morar.

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Veja na galeria de fotos o carro.