O Paraná viveu distintas fases que impulsionaram a economia do estado e entre elas uma das mais importantes foi a da exploração das reservas florestais.
Aliás, essa fase ainda continua, embora com ímpeto menor, pois, foi preciso que os governos incentivassem o plantio de árvores para que o setor madeireiro tomasse consciência de que a “lenha” estava acabando.
Ainda hoje cortam-se árvores nativas em grande quantidade, mas, cultiva-las que é bom, “necas que pitibiribes”, como escrevia o saudoso colunista Rafles de Oliveira. História contada por idoso funcionário de fazenda da região de Guarapuava/PR, diz que, nas décadas de 1930/40, os pinheirais, de tanto que tinham, não eram vendidos aos donos de serrarias por metro cúbico, quadrado, redondo ou seja lá o que fosse, mas, sim por dia, ou seja, o interessado comprava “tantos dias” de pinheiros e levava tudo o que conseguisse derrubar no período tratado.
Graças a isso, deu no que deu. Mas, para transportar todas as árvores derrubadas, desde a mata até as serrarias e daí às fontes de consumo, incluindo a exportação ao exterior, eram necessários veículos, fosse o que fosse, motorizado ou não.
Primeiro, a tora era arrastada “no muque” e com a ajuda de cavalos e burros. Depois, era colocada em carroças e mais tarde em caminhões que percorriam estradas de terra, com buracos, lama e poeira, pontilhões improvisados e tudo o mais, com grande sacrifício por parte dos homens que viviam nessa labuta.
Numa das fotos, aparece o barracão de uma serraria e vários homens que trabalhavam na extração e beneficiamento da madeira, além de um carroção tracionado por pelo menos seis cavalos.
Notem o tamanho da tora de imbuia que está sendo transportada, tendo a inscrição 165, o que significa que ela tinha 1,65 metros de diâmetro! O outro flagrante apresenta um caminhão Ford 1941 todo estropiado, farol quebrado, sem cabina e parabrisa, tendo ao lado o “chauffer” e o seu ajudante, transportando outra monstra tora de imbuia, sobre a qual aparecem dois homens e uma menina.
Imaginem numa descida, numa freada brusca, o que poderia acontecer com o motorista e seu ajudante! Se é que tinha freio, pois, segundo João Olívio Evert, na época, por precaução, havia caminhões que dispunham de umas correntes presas à carroçaria, as quais, em caso de emergência, eram soltas numa extremidade através dispositivo acionado pelo motorista e caíam embaixo das rodas traseiras, segurando o veículo!