Brasília – Se a temperatura da Terra aumentar mais de 1,5 grau, cerca de 30% das espécies animais e de plantas poderão desaparecer do planeta, de acordo com a segunda parte do relatório Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) das Nações Unidas, apresentada nesta sexta-feira (6) em Bruxelas, na Bélgica.

Outro cenário do estudo é a redução das terras cultiváveis. No caso do Brasil, de acordo com a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Meio Ambiente (Embrapa) Magda Lima, as áreas para plantio de café poderão diminuir. ?Continuando com o aumento da temperatura, poderá haver uma perda de áreas aptas à plantação de café. Outras culturas, outras espécies deverão ainda ser investigadas?, disse, em entrevista à Agência Brasil.

Estudo realizado pela Embrapa mostra o que aconteceria com as culturas de café, feijão, soja, algodão, arroz, milho e cana-de-açúcar na hipótese da temperatura do planeta subir de 1° a 5,8°. No pior cenário, a produção de café cairia das atuais 30 milhões de sacas para 2,4 milhões de sacas dentro de 100 anos – um prejuízo e cerca de US$ 375 milhões.

?Mesmo no Sul, a gente vê hoje problemas com relação a áreas irrigadas, arroz irrigado. Sabemos que já existem problemas acontecendo em termos de seca no Rio Grande do Sul, eventos que reduzem a quantidade de água disponível para a cultura?,alertou a pesquisadora que trabalha em Jaguariúna, interior do estado de São Paulo.

A segunda parte do IPCC trata dos impactos, adaptações e vulnerabilidades provocadas pelas mudanças climáticas no mundo. Produzido por 2.500 pesquisadores de 130 países, os estudos do IPCC serão divulgados em quatro partes. A primeira foi apresentada em Paris, em fevereiro deste ano, a segunda agora em Bruxelas, e a terceira ocorrerá na Tailândia, em maio.