O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, refutou, nesta manhã, cobranças de uma posição mais dura do governo diante da decisão do presidente Evo Morales de nacionalizar a indústria de gás da Bolívia.
Para Amorim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agiu de maneira correta na reunião realizada ontem (4), em Puerto Iguazú, parte argentina da Tríplice Fronteira, com os presidentes Evo Morales, da Bolívia, Néstor Kirchner, da Argentina, e Hugo Chávez, da Venezuela.
"O presidente disse Lula disse com toda a franqueza tudo o que tinha que dizer, obteve respostas favorecendo o diálogo", afirmou. Amorim ressaltou que o acordo firmado ontem foi importante porque garantiu o fornecimento do gás boliviano ao Brasil.
Sobre a discussão em torno dos preços do produto, o ministro disse que a declaração aprovada ontem deixa claro que os termos têm que ser compatíveis com os empreendimentos. Segundo Amorim, os termos técnicos do acordo vão ser discutidos nos próximos 180 dias. "Ali não era o lugar certo".
O ministro atribui as críticas que vêm sendo feitas ao governo brasileiro a motivações políticas. "Essas pessoas que reclamam dureza muitas vezes foram muito flexíveis e até excessivamente flexíveis com demandas de grandes potências. Isso tudo entra no meio da campanha eleitoral", afirmou, completando que o governo é tolerante a esse tipo de crítica.


