Secretários de Estado, governador, vice-governador, parlamentares, líderes partidários e algumas empresas estatais compõem o universo da pesquisa coordenada pelo Núcleo de Sociologia Política Brasileira da Universidade Federal do Paraná. Seu objetivo é mapear a origem social e a carreira política das elites políticas, das elites partidárias, da burocracia e os empresários a fim de traçar seu perfil social. As elites estudadas são aquelas que governaram o Estado do Paraná entre 1995 e 2002.

Os dados do questionário, constituído por um bloco de informações pessoais, familiares e da carreira política dos indivíduos já estão sendo coletados. “A pesquisa tem duração de um ano e meio e a coleta dura de oito a dez meses. Além disso, o Núcleo incentiva a participação dos estudantes que não são meros aplicadores de questionários, mas participam de todas as etapas desde as discussões teóricas até a sua elaboração”, disse Renato Monseff Perissinotto, doutor em Ciências Sociais e coordenador do Projeto.

A importância da pesquisa deve-se ao fato de existirem ainda poucos trabalhos sobre o assunto. “O que nós conhecemos é o excepcional trabalho do professor Ricardo da Costa Oliveira, do Departamento de Ciências Sociais da UFPR, mas ele utiliza uma metodologia diferente da nossa. Não há muitas pesquisas acadêmicas nessa área. Nem em âmbito nacional. Como se trata de um grupo que toma as decisões, é importante saber quem são essas pessoas, pois o que pensam e o que fazem afeta a vida de muita gente”, disse o professor Adriano Nervo Codato.

Renato Monseff Perissinoto afirmou que dentre as dificuldades encontradas até agora “a primeira é contatar as pessoas. A segunda é agendar a entrevista. É muito difícil, principalmente entre os deputados que estão na ativa. Mesmo com os demais às vezes não se consegue manter contato por estarem no interior. Esta dificuldade operacional nos preocupa porque se não houver uma taxa de retorno razoável, a pesquisa ficará ou inviabilizada ou não contemplará o que deveria ser contemplado para que se possa de fato trabalhar com dados significativos”.

Adriano Nervo Codato afirmou que alguns políticos têm receio de conceder a entrevista, ainda que não se utilize o polêmico termo elite. “O que precisa ficar absolutamente claro é que nenhum nome aparece na pesquisa. Todos os dados serão tratados de forma agregada, estatisticamente. Não nos interessamos pelo indivíduo mas pelo grupo do qual ele faz parte.”

A iniciativa, que conta também com a participação do professor Paulo Roberto Neves Costa e com o pesquisador Thulio C. Guimarães Pereira, permite que os estudantes de graduação e de pós-graduação “tenham um treinamento pelo menos em três áreas de ciências sociais: os métodos quantitativos, basicamente a estatística aplicada à análise social, métodos de pesquisa que geralmente não são tão importantes como deveriam ser nos cursos de Ciências Sociais no Brasil; o tratamento estatístico dos dados; e, o mais importante, a interpretação sociológica das informações. A nossa intenção é produzir dados e também conhecimento. A partir dessa pesquisa surgirão outros trabalhos individuais que aprofundarão a interpretação desses dados”, afirmou Codato.

Como resultado da pesquisa, “o Núcleo pretende publicar um livro que reúna os artigos dos alunos e professores de modo a apresentar uma visão panorâmica da pesquisa, além de divulgá-la por meio de revistas científicas especializadas e da imprensa”, disse Perissinotto.

Daqui a dois anos as informações serão colocadas à disposição de quem quiser pesquisar. Codato comentou que “o Paraná não tem uma realidade própria; não é uma exceção. Temos em vista comparar o Paraná com os outros Estados e comparar a realidade regional com outras e com a realidade de outros países. Então, além de produzir conhecimento sobre o Paraná, nosso interesse é produzir conhecimento que possa ser comparado com outras pesquisas que estudam a mesma coisa pelo mundo afora: as elites”.

Zélia Maria Bonamigo

é jornalista, mestranda em Antropologia Social pela UFPR, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. E-mail:
zeliabonamigo@uol.com.br