Uma manifestação em protesto contra o corte de verbas no Ministério da Cultura deve tomar conta das ruas de cidades brasileiras do Oiapoque ao Chuí durante todo o dia de amanhã. Artistas de diferentes áreas da produção cultural prometem realizar manifestações em todo o Brasil. Em São Paulo, o protesto deve começar às 11h30 diante do Teatro Municipal.

"Como se sabe, o contingenciamento de verbas atingiu o Ministério da Cultura, cujo montante, que já era muito pequeno passou de 0,34% a 0,19% do orçamento da União", diz Ney Piacentini, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro. "Com isso, programas importantes anunciados pela Funarte não saíram do papel."

Diante de um balão gigante onde se poderá ler 2% para a Cultura, companhias paulistanas, entre elas As Graças, Ivo 60, Cia. do Feijão, Domínio Público e Tablado de Arruar vão fazer divertidas performances. Enquanto isso, no Brasil inteiro, os artistas vão colher assinaturas para uma abaixo-assinado que já conta com a adesão de centenas de personalidades.

Na área teatral, o documento traz o nome de artistas como Antonio Fagundes, Marieta Severo, Renato Borghi, Regina Duarte e Ana Paula Arósio, entre muitos outros. Ao fim do ato, previsto para terminar às 14 horas em São Paulo – horário de seu início no Rio -, os artistas prometem soltar 2,5 mil balões de gás, todos com a inscrição 2% para a Cultura. Será que os anjos lêem português?

Organizados por entidades de classe de todo o País, a manifestação e o texto do abaixo-assinado, aprovados nacionalmente, começaram a ser preparados em junho. Em março, numa solenidade no Rio que contou com a presença do ministro Gilberto Gil, o presidente da Funarte, Antonio Grassi, anunciou o lançamento em abril de importantes editais públicos, que envolviam uma verba de R$ 30 milhões para as áreas de dança, circo e teatro.

Desse total, R$ 7 milhões seriam destinados às artes cênicas entre Rio e São Paulo. Ainda que não fossem programas perfeitos, tinham muita qualidade.

O Prêmio Myriam Muniz, para o teatro, por exemplo, era bastante democrático, porque a ele podiam concorrer tanto companhias permanentes quanto produções independentes. Mais que isso, podiam se habilitar tanto projetos para a manutenção de uma temporada, por exemplo, como para a criação de uma montagem ou ainda somente para circulação de peças. Mas, por enquanto, só o que há é uma verba de R$ 3 milhões que a Petrobrás havia dado para entrar em parceria com a Funarte.

Não adianta ter pessoas certas nos lugares certos e bons projetos de política pública: sem verba, nada pode ser feito. É isso que os artistas querem dizer em alto e bom som na ruas e contra isso pedem a adesão nesse abaixo-assinado que pretendem fazer chegar às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.