A crise instalada no sistema de controle de vôos colecionou para o governo, ao longo dos últimos seis meses, imenso arsenal de atitudes dúbias e desencontradas, estratificando para o cidadão cuja natureza ocupacional, necessariamente, o leva a utilizar companhias aéreas para deslocar-se dentro e fora do País, a extensão dos danos causados à sociedade por uma gestão pública marcada pela inapetência.

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Diante do paroxismo verificado nos principais aeroportos no último final de semana, diante da constatação irrefutável que o caos aéreo resultava do amotinamento dos sargentos controladores de vôo que cruzaram os braços, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, ordenou a prisão dos líderes putativos do movimento.

A decisão do primeiro homem na hierarquia da Força Aérea Brasileira foi tomada como opção compulsória ante a insolência da atitude dos controladores, aliás, enquadrada pelo ministro Celso de Mello, uma das vozes mais credenciadas do Supremo Tribunal Federal (STF), como ?irresponsabilidade criminosa?.

A afronta aos códigos militares foi de natureza gravíssima e quando se supunha que a ordem fosse cumprida, o presidente da República, provavelmente tocado pelo cacoete sindicalista, houve por bem expedir uma contra-ordem depreciativa à autoridade maior da Aeronáutica, imiscuindo-se numa questão que se prolonga há seis meses sem solução definitiva.

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Até o açodamento em providenciar o pagamento imediato da gratificação salarial exigida pelos controladores, sacramentada em pífio acordo conduzido pelo ministro Paulo Bernardo, bem como a transferência do controle do tráfego aéreo para a área civil, tiveram o embalo cortado quando a cadeia de comando militar decerto fez chegar ao núcleo central do governo algumas ponderações de alta relevância.

Dentre a sarabanda de críticas à postura do governo na crise dos aeroportos, merece destaque a fala do governador José Serra, para quem as soluções foram ?traumáticas?, ao se referir às promessas de aumento salarial, reestruturação de carreira e desmilitarização da atividade.

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Para o governador paulista, a demora do governo federal em intervir na questão, além do indisfarçável conflito dos métodos empregados para resolver a questão, é um perigoso indício de que a crise terá vida longa.