Os argentinos estão calejados em greves nos aeroportos e de viajar inseguros em aviões que não contam com um sistema de controle aéreo adequado. Desta forma, a notícia da greve nos aeroportos brasileiros teve pouco impacto na Argentina. "Lamento muito, mas em matéria de caos e bagunça nós somos pentacampeões" comentou com ironia José Antonio, um advogado que pretendia visitar sua namorada gaúcha em Porto Alegre. Alertado por ela do caótico cenário nos aeroportos brasileiros, desistiram de encontrar-se desta vez na capital do Rio Grande do Sul. A saída foi marcar o rendez-vous no balneário uruguaio de Punta del Este.

"Ela pega seu carro e desce até Punta. Eu pego o `buquebus’ (ferry boat) de Buenos Aires até Montevidéu e dali vou até Punta del Este. Dá trabalho, mas pelo menos eu sei que dessa forma eu chego. Ainda bem que ela não mora em Salvador…", explicou dando uma risada. Os dois calculavam que se encontrariam ontem (sábado) à noite.

Tal como José Antonio, vários argentinos – com um currículo nacional de caos, greves e falências de companhias aéreas nos últimos sete anos nos aeroportos locais – precaveram-se com o pandemônio nos aeroportos brasileiros e decidiram não viajar para o Brasil nesta semana de feriados (além da semana santa, esta segunda-feira é feriado na Argentina, já que comemoram-se os 25 anos da invasão argentina às ilhas Malvinas).

No entanto, apesar dos problemas, ontem (sábado de manhã) os vôos da GOL, Varig, Lan Chile e Aerolíneas Argentinas provenientes de São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre chegaram em Ezeiza – o aeroporto internacional de Buenos Aires – na hora ou com atrasos de não mais de 20 minutos.

A crise nos aeroportos brasileiros teve relativa repercussão na Argentina, já que houve mais espaço para a visita do presidente Luis Inácio Lula da Silva aos EUA e o affair do rabino Henry Sobel e o suposto furto de gravatas de griffe. O site do jornal Clarín destacou o caos nos principais aeroportos brasileiros. "É um novo capítulo na crise da aviação comercial no Brasil". O Clarín.com também ressaltou a fúria dos passageiros com os atrasos e os cancelamentos dos vôos.

Para o site do jornal dominical Perfil, "é a primeira vez na História do Brasil" em que 49 aeroportos comerciais ficam fora de serviço. Segundo o Perfil.com, a noite da sexta-feira "foi um verdadeiro caos".

Além disso, os aeroportos argentinos também estavam em estado de confusão mas por problemas próprios e não importados do Brasil. No Aeroparque, o aeroporto metropolitano de Buenos Aires, os atrasos nas partidas de vôos internos eram de duas ou três horas. Os problemas se arrastam desde o início de março, quando um raio atingiu o radar de Ezeiza.

Recentemente, o presidente Néstor Kirchner decidiu remover o controle aéreo das mãos dos militares (a Força Aérea administrava o setor desde 1966) e passá-lo para a administração civil.